De carro pela Islândia – alugando uma campervan

Viajar de carro pela Islândia é muito legal e facilita muito a vida, caso você queira conhecer o país com total liberdade. Não é a única forma e nem é, assim, obrigatório. Mas foi a nossa escolha. E olha só: a gente não alugou só um carro, alugamos uma campervan!

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Mas o que é uma campervan, meu Deus do céu?

Campervan (ou “caravana”, no português de Portugal) é a tradução de um termo bem comum por lá: “camper”. Resumindo, é uma minivan com cozinha e cama dentro.

Se somos loucos? Um pouco. Hehehehe

 

Por que viajar de carro pela Islândia?

Você até pode contratar passeios com agências em Reykjavík (Reiquejavique, em português) e dormir todos os dias em hotéis na capital.

Mas cá entre nós, percorrer você mesmo as lindas estradas desertas, em paisagens saídas de um filme de ficção científica, é perfeito para uma road trip. Desse modo, poderá coordenar você mesmo o seu tempo e conhecer cada lugar no seu próprio ritmo.

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São tantos pontos legais na beira do caminho, que você vai parar de 10 em 10 minutos para tirar fotos. E num ônibus de excursão, a gente sabe que isso não é permitido.

A ilha não tem metrô, nem ferrovias. Então o transporte público, embora eficiente, é feito exclusivamente por ônibus de linha. E tem para todo lado, por todo o país. Pode baratear, inclusive, a sua viagem. Achei até um mapa aqui, veja.

Outra opção se você vai para lugares mais longínquos é de avião. Há voos nacionais entre as principais cidades da Islândia.

 

Mas como é alugar uma caravana / campervan na Islândia?

Mas a gente foi um passo além. Em vez de simplesmente alugar um carro, a gente alugou uma campervan na Islândia. Ou uma caravana, ou uma “camper”, como preferir.

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Nunca tínhamos dirigido uma van daquelas, tão grandalhona antes, mas achamos que as estradas do meio do nada da Islândia eram um bom lugar do mundo para testar se tínhamos ou não habilidade para isso.

E foi mais fácil do que pensei. Claro que exige alguma adaptação até conseguirmos manobrar, dar ré, estacionar, fazer baliza… Mas acreditam que eu fiz tudo isso durante a viagem e deu tudo certo?

A gente reservou a nossa camper na CampEasy, uma empresa com sede bem próxima do Aeroporto de Keflavík, onde chegamos. Eles buscam a gente no aeroporto, o que foi super prático. E ensinam tudo sobre o funcionamento do possante.

De Carro pela Islandia Caravana Camper - 2Aqui fica o QG da CampEasy, onde dá para alugar carros comuns também

Dentro, há uma cozinha portátil, com geladeira e fogão. O gás vinha numas latas parecidas com essas de spray, um sistema bem fácil de operar e que nunca tínhamos visto.

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Tem pia e um reservatório de água limpa e outro com a água suja. Eles mostram como esvaziar e repor os reservatórios (nos postos de gasolina, bem fácil).

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A gente deu sorte, porque reservamos a menor campervan que havia (a EasySmall), mas ganhamos um upgrade para uma mais espaçosa (a EasyFun). Embaixo das camas/ bancos traseiros, coube direitinho as nossas malas. E eles fornecem lençóis e cobertores (além de material básico de limpeza e para cozinha). Tudo incluído.

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Reservamos também alguns extras: GPS (foi fundamental), mesas e cadeiras (para podermos montar nossos cafés da manhã ao ar livre) e também pedimos um conversor para termos uma tomada a bordo. Este último item serviu para carregarmos as baterias da câmera e o celular durante a viagem. Achei essencial.

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O mais legal é que a caravana tem um sistema de aquecimento que pode ficar ligado toda a noite, sem medo de detonar a bateria do carro. Dormimos sempre confortáveis e bem quentinhos, mesmo nas noites frias de 2-3 graus do verão islandês (isso mesmo, no verão!).

Outra coisa. A campervan é diferente do trailer justamente pela ausência de banheiro / vaso sanitário / chuveiro. Então a solução era pernoitar nas áreas de camping para poder usufruir desta infra-estrutura.

 

Como são os campings da Islândia?

Então… A gente gostou bastante. Uma preocupação nossa antes de viajar era se ia ser fácil achá-los. É impressionante como há camping em todas as cidades, mesmo que a cidade tenha só uma rua, ou só 40 habitantes (coisa muito comum por lá).

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Os chuveiros geralmente eram aquecidos com água termal natural encanada. Sério. Na maior parte do país, eles não gastam com gás ou eletricidade para tomar banho por causa das fontes aquecidas pelo calor vulcânico mesmo. Resultado: água farta, quentinha e à vontade.

Tivemos azar em um dos campings, na cidadezinha de Vík, bem no sul do país, porque lá não havia essa maravilha de água termal. A água era aquecida por eletricidade e depois de um monte de pessoas tomarem banho, a água quente acabava. Percebi que íamos nos dar mal quando vi a fila de gente para o chuveiro. Todo mundo saía batendo queixo lá de dentro.

Coincidência ou não, foi o único banheiro em estado “mais ou menos” que vimos em toda a viagem. Todos os outros eram bem limpos e arrumados. Coisas de país de primeiro mundo.

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O camping cobra uma taxa para pernoite (dá direito de usar os sanitário, pias para lavar louça, armar barraca se quiser etc), mas alguns também cobravam uma taxa extra para o banho.

O camping perto do Parque Nacional Skaftafell era desses super lotados de gente. Achamos modernosa a máquina que vendia cartões para chuveiro (você passava o cartão e o chuveiro ligava). Esta máquina aceitava até cartões de crédito.

 

E para comer?

Antes de sair Islândia afora, a gente passou num supermercado ainda em Reykjavík e compramos todo o necessário para os cafés da manhã: pão, frios, iogurte, frutas, café solúvel, açúcar em cubos (para não derramar) etc. Também resolvemos que íamos cozinhar massa com almôndegas enlatadas algum dia. Daí tive que comprar sal.

Engraçado se virar com os rótulos em islandês, baseando-se somente nos desenhos e figuras. Isso rendeu uma história engraçada.

Para cozinhar o macarrão, o Sandro jogou um pouco do jfisoifof-Salt que eu tinha comprado num potinho super prático, bem pequenininho. De repente, a água começou a espumar de forma estranha e um cheiro muito forte tomou conta da van.

– Gleiber, tem certeza que isso aqui é sal mesmo? Olha só esse cheiro! – Xingou o Sandro.

– Claro! Nem precisa entender islandês, Sandro. Olha aqui o rótulo: jsjfisdjf9hh3h-Salt. É L-Ó-G-I-C-O que é sal! – respondi, confiante.

Quando senti o cheiro, caiu a ficha na hora. Aquilo era sal amoníaco!!!

Jogamos tudo fora e cozinhamos outra massa e colocamos a almôndega ao molho enlatada sobre a massa sem sal mesmo. Ainda bem, porque o molho já vinha temperado o bastante.

Depois disso, só comemos em restaurantes durante o resto da viagem.

 

O que é necessário para alugar uma campervan na Islândia?

Todo blog e site avisa da importância de levar a sua carteira de motorista internacional. Mas a gente não fez isso. Levamos a nossa CNH normal mesmo. E foi aceito. Na verdade, a nossa carteira B permite dirigir campervan / caravana tranquilo. É uma dúvida que eu tinha antes de viajar.

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Sobre as coberturas e seguros, é muito importante contratar o seguro para gravilha (“gravel insurance”). Há muitas estradas não pavimentadas no país e mesmo as asfaltadas têm muita pedrinha solta. Esse seguro garante que você não será cobrado pelos inevitáveis arranhões na pintura.

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A CampEasy dá de brinde um cartão de descontos nos postos de gasolina N1, uma rede que existe por todo o país. Bem fácil de achar. Como falei acima, foi muito bom alugar também um inverter, um GPS e um kit de mesa com cadeiras.

O preço? Bem, é salgado mesmo. Colocando na ponta do lápis, a caravana saiu mais cara do que alugar um carro comum e ficar em hotéis 2-3 estrelas pelo caminho.

Tínhamos medo de não achar lugar para ficar e os preços do Booking.com eram bem salgados. Os preços que vimos lá ao vivo, em lugares que certamente não estavam em nenhum anúncio na internet, eram mais em conta.

O bom é que na Islândia é permitido pernoitar com o carro na beira das estradas. E é um dos lugares com o menor índice de criminalidade do mundo (quase 0). Então, estar de camper garantia que a gente não ia ficar sem ter onde dormir.

 

E como são as estradas na Islândia?

O GPS foi útil, mas a locadora também disponibilizou mapas de verdade para usar durante a viagem. Para quem gosta (eu adoro), foi bem útil, servindo para a gente decidir o próximo destino, por exemplo.

Dirigir por lá é muito fácil (lembre-se que os faróis devem estar sempre acesos), mas mesmo a estrada principal do país, a “rodovia do anel” ou “Ring Road”, tem muitos trechos sem acostamento. Só perto da capital e dos principais centros é que a Rota 1 (ou rodovia 1) ganha pistas extras. Ela circunda todo o país (por isso, anel) com os seus 1.332km (segundo a Wikipedia).

Todas as estradas são numeradas segundo uma lógica fácil de entender. A rodovia principal do país é a número 1 (um dígito) e as secundárias que saem dela, têm dois dígitos (rodovia 52, 36, etc). As terciárias têm 3 dígitos (254, 368, por exemplo). e são sempre de terra.

A rodovia principal está sempre limpa de gelo no inverno e é totalmente pavimentada. Mesmo assim, ela pode ter só uma pista em certas pontes (uma pista só para ir e para voltar, os carros se revezam)!

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As estradas secundárias por exemplo, costuma ser pavimentadas também, mas isso não é certeza absoluta, viu? Depende. Nos mapas que ficam na beira da estrada, há sempre uma legenda explicando melhor.

As estradas marcadas com linhas intermitentes são de terra, mas geralmente em bom estado. Já as de pontilhadinho pequeno, são as trilhas, ou estradas “F” (aparecem no mapa como F + 3 dígitos, por exemplo, F325).

De Carro pela Islandia Caravana Camper - 12Placa na beira da estrada. A legenda no canto inferior direito explica tudo e é bilíngue.

Não se meta numa estrada F se o seu carro não tiver tração 4×4 de verdade. São “trilhas” mesmo, e não estradas, consideradas percursos off-road, muitas vezes cruzando até cursos de rio. O seguro para carros comuns não cobre sinistros nestas vias.

Essas trilhas às vezes são a única forma de alcançar certos lagos e vulcões no interior do país, mas não é preciso pegar nenhuma delas para visitar 90% das coisas legais que a Islândia tem para serem descobertas.

Portanto, só alugue um 4×4 mesmo se tiver experiência em off-road e estiver afim de uma aventura, digamos, diferente. A gente pegou só estrada de até 2 dígitos e mesmo assim pegamos vários trechos não pavimentados, principalmente na região dos Westfjords.

A rodovia 60, entre Pingeyri e Flókalundur, foi inesquecível. Tanto por sua beleza quanto pelo medo que nos causou por estarmos dirigindo de camper, no meio do nada, debaixo de chuva, sob forte neblina. Havia trechos de aclive e declive super acentuados, penhascos… Foi lindo, mas bastante perigoso.

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Outra coisa importante. Fique atento aos postos de gasolina. Às vezes você dirige por muitos e muitos quilômetros sem achar nenhum. Nos mapas, em geral, eles aparecem bem sinalizados.

Uma coisa boa sobra a Islândia: apesar da língua, há sinalização para todos os lados, em inglês!

 

Agradecimento especial

A gente não teria feito essa viagem de camper / caravana pela Islândia se não fosse a Adriana, do blog Dri Everywhere. Ela foi à Islândia antes da gente, contou sua viagem no blog dela e deixou a gente com água na boca. Foi por causa dela que a gente se animou a fazer o mesmo. E adoramos! Outros blogs que também contam suas histórias de aluguel de carro pela Islândia, seguem na lista abaixo.

Nerds Viajantes
Foto Viajar
London, Sô
Tanto Mundo
Islândia Brasil (portal de informações e agência especializada)

 

Outros posts sobre a Islândia no nosso blog:

Uma viagem para outro planeta
Como fazer para chegar à Islândia
E em breve, muito mais!!!

 

Não está afim de dormir dentro de um veículo e está procurando um hotel de verdade na Islândia? A caixa de busca abaixo pode te dar uma mão. Caso chegue a fechar uma reserva com o Booking.com, a gente ganha uma comissão de alguns centavos. É pouco, mas ajuda nosso blog a se manter vivo.

Escrito por: Gleiber Rodrigues
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comentarios:9
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Jul
2015
9 comentários
  1. Bóia
    20/07/2015

    Oi, Gleiber. Tudo bem? 🙂

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

  2. Sonia (Coisa)
    21/07/2015

    Morro de vontade de conhecer a Islândia e adorei o relato, nunca tinha nem cogitado ir de caravana, pensaria em um trailer ou alugar um carro e dormir em hotéis mesmo. Se você fosse fazer a viagem novamente ainda escolheria a caravana?

    • Oi Sonia,
      Acho que iria de carro. Mas só para baratear mesmo, porque a experiência de dormir aonde quiser é fantástica. É que na Islândia tudo é muito, muito, muito caro.
      Abraços.

  3. Renata Salerno
    23/07/2015

    Excelentes dicas, ótimo roteiro!! País perfeito.

  4. Marcos Alves
    13/01/2016

    Olá Gleiber, como vai? Eu e minha esposa estamos indo para a Islândia agora em Junho e estamos utilizando seu artigo como base para todo nosso planejamento. Achei muito interessante (seu post é fantástico, parabéns!) e já decidimos alugar uma caravana como você fez. Surgiram algumas dúvidas cruciais, no entanto. Considerando que a Ring Road tem 1332 km, em quantos dias vocês deram a volta toda? Foram no sentido horário ou anti-horário? Você recomenda ir em qual sentido, uma vez que conheceu as atrações principais? Outra coisa, você recomenda a CampEasy ou a HappyCamper, que parece ser a maior? Existe uma falta de informação muito grande em relação a este tipo de viagem na Islândia e talvez você possa nos ajudar!

    • Oi Marcos,
      A gente não deu a volta toda não. Ficamos 5 dias na ilha, fomos até Skaftafell no Sudeste da Islândia e depois voltamos até a região dos Westfjords, no noroeste da ilha. Depois voltamos para Reykjavík. E a gente pode falar do carro da CampEasy, mas não da HappyCamper, que a gente não alugou…
      Abração.

  5. Tamires Leme
    28/01/2017

    Olá.
    Estou planejando um mochilão e Islândia é um dos lugares que passarei 5 dias.
    Estou com algumas duvidas. Você acha possível rodar a ilha em 5 dias?

    Obrigada.