Christiania – a cidade livre dentro de Copenhagen

Você não leu errado. Christiania vive como se fosse uma cidade independente, com algumas leis próprias, dentro de Copenhagen, a capital da Dinamarca. Mas por que algo assim existiria? E por que seria interessante ir até lá?

Chistiania Copenhagen Dinamarca

E o mais importante, como um lugar desses consegue sobreviver sem ser invadido pelo país vizinho (a Dinamarca, no caso?). Tudo isso aguçou nossa curiosidade geopolítica e, por isso, a “cidade livre” fez parte de nosso roteiro.

 

Christiania: a terceira atração mais visitada de Copenhagen

Atrás somente da Pequena Sereia e do Parque Tivoli, este experimento social único no mundo consegue atrair milhões de turistas estrangeiros todos os anos. Se brincar, é mais do que aquela praia que você gosta ali no litoral catarinense…

E será que toda essa gente vai ali curiosa para conhecer a filosofia política por trás de uma sociedade livre anarquista e sem governantes? Ou será que a curiosidade é sobre a venda liberada de maconha e haxixe, dentro de um país onde isso é proibido?

Detalhe: o lugar é chamado de Green Light District (Distrito da Luz Verde – usando uma folha de Cannabis como símbolo), como uma forma de se comparar com o Red Light District de Amsterdã, onde a prostituição é permitida.

Chistiania Green Light District Copenhagen Denmark

Já vou avisando, o lugar não é recomendado à noite, principalmente porque não há sequer iluminação pública. Logo ao entrar, vemos placas proibindo fotografias e proibindo correr! Teoricamente, alguém correndo pode causar pânico porque pode ser um ladrão… Vai entender.

Copenhagen Christiania Placa

Mesmo assim, achamos que deveríamos ver com nossos próprios olhos, antes de tecemos qualquer crítica. Se tanta gente vai lá, não pode ser uma coisa assim tão perigosa, né?

 

História de Christiania

Tudo começou em 1969, quando hippies e sem-teto resolveram ocupar uma área militar naval abandonada, perto do centro da cidade. Na época, a coisa passou meio despercebida pelo governo, que não imaginou a confusão que viria a seguir.

Em 1971, espalhou-se a notícia de que havia um lugar liberado para se viver o sonho de uma sociedade livre, anarquista e não-capitalista. Quando a polícia resolveu cair de pau e expulsar os invasores, já era gente demais do mundo inteiro!

A convivência com as autoridades dinamarquesas não vem sendo nada pacífica ao longo desses 43 anos. Mas por incrível que pareça, um fundo comunitário conseguiu arrecadar dinheiro suficiente para comprar a terra invadida e hoje, as quase mil famílias que lá vivem, não temem mais perder seu território.

Se o problema fosse só a terra, beleza. Mas é que não foi só gente sonhadora que tentou chamar Christiania de lar. Traficantes e outros criminosos também tentaram se aproveitar da situação e escapar das autoridades. E o resultado é que o clima por lá chega a ser mais tenso do que em muito bairro barra-pesada aqui do Brasil.

Chistiania sujeira Copenhagen

Dentro das leis dinamarquesas, não haveria espaço para a existência de um lugar como Christiania. Mas a verdade é que a sociedade não só tolera como, no fundo, orgulha-se de conseguir conviver civilizadamente com essa espécie de “sociedade alternativa”.

Oficialmente, ali pratica-se um sistema político anarquista. Não existe prefeito ou governador, as regras são decididas em assembléias. Mas as proibições determinadas por eles mesmo são tantas, que muitos reclamam de que de livre, Christiania já não tem mais nada.

Christiania Casas Copenhagen

Por exemplo: não se pode construir mais novas casas, todos tem que contribuir com o fundo comunitário, drogas mais pesadas além da maconha e do haxixe não podem ser comercializadas. Ou seja, o lugar é quase tão careta quanto o bairro ao lado!

 

Como é visitar Christiania

A gente acabou chegando lá através do Metrô. A estação Christianshavn é a mais próxima. Mas não pensem que é fácil achar o lugar. Mesmo com um mapa! É que não há exatamente uma rua que dá acesso. Você tem que entrar entre os edifícios vizinhos.

Dica: fica perto da igreja Vor Frelsers Kirke.

Quando chegamos, fomos logo abordados por um vendedor de pipocas estressado e mau-humorado. Acho que é por causa da câmera gigante que eu carregava no pescoço. Tapei a lente e prometi não usá-la. Só que descumpri as leis do país e tirei várias fotos.

Christiania Vista da saídaNos fundos da placa de boas vindas, o aviso “Agora você está entrando na União Europeia”

Fiquei até pensando se fazia como o João do blog Para Ver em Londres, e poupava as imagens. Mas resolvi arriscar, porque queria que vocês sentissem um pouco do clima do lugar. Sim. É sujo, tem cara de que parou nos anos 70.

Christiania Fotos proibidas copenhagen dinamarca

Depois que descobri que tudo ali foi construído com o trabalho em comunidade, tive que dar um desconto. Mas mesmo dando um desconto, não consegui me sentir à vontade. Parece que está escrito na sua testa que você é turista! Guardei a câmera na mochila, mas mesmo assim continuei me sentindo um ET.

Christiania loja de bikes

No fim, fomos até o canal e à área verde que fica nos fundos da comunidade e tivemos uma visão do pequeno bairro todo pixado. Longe dos olhares tortos que notavam nossa caretice à distância, Christiania não parece um lugar tão diferente assim. Não tinha ninguém com cara de hippie, nem gente puxando baseado ao ar livre e nem bêbados caindo pelas sarjetas.

Copenhagen Christiania Parque nos Fundos

Parecia só mais um lugar qualquer.

 

 

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Ahn… A nossa principal referência para a parte histórica desse post, foi um artigo da Revista Rolling Stones. Vale a leitura (está muito completo e super interessante). O link para o artigo do blog Pra Ver em Londres sobre Christiania eu coloquei lá em cima, mas não custa botar de novo, hehehehe.

Outros artigos nossos sobre a Dinamarca:

Como ir do aeroporto para a cidade
Dica de Hotel – Hotel du Nord
Rosenborg Slot – um lindo castelo

 

Escrito por: Gleiber Rodrigues
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comentarios:20
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Sep
2014
20 comentários
  1. Boia Paulista
    29/09/2014

    Oi, Gleiber. Tudo bem? 🙂

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Boia – Natalie

  2. Patrícia Maia J.
    30/09/2014

    Quando fui a Christiania (2006) tinha de tudo na rua, haxixe, maconha e muitos bêbados. Meu cunhado que morou um tempo em Copenhagen fala que a situação melhora ou piora de acordo com o tempo em que eles não são invadidos pela polícia (normalmente por aumento no número de assaltos na região). Quando tem pouco tempo que a polícia invadiu eles são mais regrados, quando tem muito tempo que a polícia invadiu eles ficam mais relaxados.
    Não me senti bem visitando a cidade pelo mesmo motivo citado no post, parece que você é um personagem vindo do fututo.
    Gostei muito de Copenhagen, mas não voltaria a Christiania, nem recomendaria, exceto para alguém com curiosidade para realizar um estudo social.

    • Oi Patrícia,
      Então…
      A gente olha os bairros vizinhos e pensa, será que é melhor viver dentro de Christiania ou fora? O cidadão se sente mais bem amparado pelo Estado dentro ou fora? Duvido que os dinamarqueses de hoje gostaria de trocar a vida que têm (a cidade mais feliz do mundo) para ir viver na “livre” Christiania…
      Abraços.

  3. Eduardo Ribeiro
    30/09/2014

    Estive nesta “cidade” dentro de Copenhagen em 2008 graças a tal da matéria da Rolling Stone. Curioso, mas nao recomendo para ninguém. Se sobrou algo interessante lá eu nao sei, basicamente dei uma volta num local cheio de bebados e drogados, com alguns camelôs vendendo artigos baratos, coisas para adolescentes revoltados, enfim, pior que qualquer feirinha hippie do Brasil. Decidi ir embora quando chegou um ônibus cheio de policiais, imaginei que iam tentar botar ordem naquilo e podia sobrar pra mim.

    • Poxa…
      Apesar de também não ter gostado muito do lugar, a gente pelo menos não deu tanto azar assim.
      Que pena.
      Abraços e obrigado por compartilhar sua experiência conosco.

  4. Luciana
    01/10/2014

    Estive lá em setembro de 2012, e acho que por sorte não tive dificuldade de localizar uma entrada. Quando você se aproxima da região começa a ver cartazes, pontes e árvores com “roupas” de crochet, então é uma pista – acho. Quando passei por lá estava tudo tranquilo, mas tinha sim bastante gente fumando maconha. Estava meio vazio e nos sentimos incomodados lá dentro. Dá um certo receio. Mas achei super interessante pelo contraste. Não preciso ir novamente mas acho que quem vai a Copenhagen deveria dar uma olhada sim, é muito único!! Adorei o post, parabéns.

    • Oi Luciana,
      Meu sentimento é muito parecido com o seu, não gostamos muito, mas é uma coisa que achei importante ter visto e conhecido.
      Abração e obrigado por compartilhar sua experiência aqui no blog.

  5. Vinicius Pereira
    01/10/2014

    Estive em Christiania no começo de Setembro e, diferente do que li em seu post, não senti o menor medo ou desconforto de estar no local. É verdade que podemos encontrar gente fumando maconha no lugar. É claro! Esta é a proposta do lugar!

    Também pude observar muitos turistas, inclusive pessoas “bem vestidas” (não que isso signifique alguma coisa), algumas pessoas de mais idade e, inclusive, pessoas estudando. Gostei de Christiania e acho um lugar obrigatório para conhecer em Copenhagen, para pessoas de mente aberta – deve-se desapegar de qualquer preconceito quando for visitar o lugar.

    Apesar de não concordar com o fato de vocês terem tirado fotos (desrespeitaram as regras do lugar), achei interessante vocês terem abordado um lugar tão diferente no post. Me chamou atenção.

    Abraços e boa quarta-feira!

    • Oi Vinicius,
      Que legal ter aparecido alguém que tenha gostado do lugar, porque repare nos comentários: parece que a maioria das pessoas também não gostou, assim como eu. E Christiania era para ser um lugar polêmico, cheio de gente apontando prós e contras! hehehehe
      Mas concordo contigo, acho também que é uma atração imperdível. Só vendo com os próprios olhos para emitir uma opinião, e uma experiência, como essa, única no mundo, precisa ser conhecida.
      Abração e obrigado por vir aqui compartilhar a sua experiência e a sua opinião com a gente.

    • vanessa
      06/08/2016

      Olá!
      Vinicius, estou pensando em ir a Christiania, com a mente aberta. Vc pode me mandar um email para trocarmos informações, já que vc foi uma das únicas pessoas a falarem algo bom do lugar?
      Meu e-mail é van.marca@hotmail.com Sou Vanessa
      Grata

  6. Poliana
    14/10/2014

    Fui a Christiania em janeiro de 2011, e já na rua em volta tinha polícia, um carro arrombado com o vidro quebrado, e muitos bêbados na rua. Era inverno, estava sozinha, cheguei no portão e voltei, heheh. Provavelmente não teria perigo nenhum, mas não me senti confortável e acho que o fato de ser mulher e estar sozinha também não ajudou…

  7. Oi, Gleiber. Admirei sua coragem em fazer as fotos. Fiquei morrendo de vontade, mas preferi não arriscar!

    Gostei bastante do seu relato.

    Fiquei impressionado com a galera comentando sobre o clima de terror. Achamos bem tranquilo. Claro, tirando o natural clima pesado da área do comércio. =)

    Uma experiência que recomendo a todos.

    Ah, obrigado por citar meu post! Abraço.

  8. Wagner Saraiva
    02/02/2016

    Olá, estive em Copenhague em setembro de 2015. Visitei Christiania e achei um lugar muito interessante. Recomendo que visitem, pela experiência social. Estava de bicicleta, pois vim pedalando desde Hamburgo. Tinha uma bandeirinha do Brasil presa na minha bike e no meio daqueles casebres ouvi uma voz em bom português: QUE BANDEIRA BONITA! Era um cearense que já morava alguns anos por lá. Conversei bastante com ele e ele até me acompanhou numa rodada de cerveja. Pelo que entendi ele era uma espécie de olheiro de um grupo de vendedores de drogas. Minha alegria durou pouco na capital dinamarquesa, pois no terceiro dia de estadia lá, furtaram minha bicicleta da porta do DANHOSTEL, onde eu estava hospedado. A polícia não fez nada para recuperar minha magrela e, assim, eu que pretendia chegar a Estocolmo pedalando, passando por Oslo, fiquei vagando pela Escandinávia, até retornar para o Brasil.

  9. Soraia Martins
    25/05/2016

    oi Pessoal. Estive em Christiania há uns 8 anos com meus filhos, que tinham 6 e 4 anos e passamos uma tarde lá.Tinah sujeira pelas ruas (igualzinho na nossas cidades no Brasil). Tinha gente fumando maconha (idem), tinha gente bebendo (idem)… mas tinah gente trabalhando nas ruas, tinha crianças com seus pais, tinha criança sozinha brincando… Só que nao me senti ameaçada, nem aos meus filhos e marido. Afinal, na minha ciadde no Brasil meus filhos nunca puderam brincar na rua…e olha q moro numa cidade modelo no Brasil… bem… acho que é questão de vc ver mesmo qual a proposta do lugar e o novo ( esse novo aí é bem velho já) sempre nos assusta. A proposta da vida em comunidade requer preparo e emancipação (sem governo bancando o pai genereroso ou corrupto, por trás). Enfim, acho que eles merecem os parabéns pois estão sobrevivendo numa ilha, como podem, no frio cortante que é do daquelas bandas!
    Tem lugar pra td mundo nesse mundo!

    • Tem razão, Soraia,
      Bom argumento.
      Abraços e obrigado por contribuir com o nosso blog.
      Abraços.

  10. vanessa
    06/08/2016

    Oi Gleiber.

    Estou pensando em ir a Christiania, para ver um lugar assim por recomendação de uma amiga que esteve há um mês lá. Mas já tinha uma dúvida, e depois do seu post me surgiu outra pela informação que minha amiga passou.
    Ela foi no verão, se eu ir será alto inverno (por fim de janeiro). Como é esse lugar no inverno?
    E por curiosidade, minha amiga disse que lá tudo é permitido. Mas vc diz que só maconha e haxixe. E as drogas permitidas são comercializadas? Existem lugares para o comércio e quantidade (como em Amsterdan)? E realmente só maconha, haxixe e álcool?
    E é possível ir conhecer e voltar a Conpenhagem no mesmo dia? Mas a questão principal, no inverno há locais de comércio para um café e comida?
    Grata

    • Oi Vanessa,
      A gente foi em Março para lá, era inverno. Há cafés e restaurantes sim. Sobre suas outras dúvidas, não tenho informações para respondê-las. A gente visitou o local para conhecer, como turista e não tínhamos nenhum interesse no consumo. Então não compramos lá nem um alfinete. Chegamos a entrar numa loja de souvenirs, mas os olhares atravessados nos correu de lá rapidinho. Não sei se chegamos a ficar mais de 1h. Como disse no texto, achei a visita bastante desconfortável.
      Abraços.

  11. […] a maconha. Se você quiser saber mais sobre Cristiania vou deixar o link do site que encontrei: http://andarilhosdomundo.com.br/2014/09/christiania-cidade-livre-copenhagen/. Ele tem um filho e sonha em ser o maior compositor de todos os tempos, e não quer ser famoso […]