Trilha ao por do Sol – Serra do Espírito Santo – Jalapão

Sabe aquele dia quando todos os planos dão errado? Quando a gente está em viagem, felizmente, isso deixa de ser motivo de problema. É só mudar de planos. E assim a gente acabou fazendo a trilha mais difícil do Jalapão ao por do Sol. E, sinceramente? Acho que a Serra do Espírito Santo ficou até mais linda por isso.

Trilha da serra do espirito santo Jalapao 02

Mas não pensem que foi moleza. Teve gente que não teve gás para alcançar o mirante que era o nosso objetivo a tempo de ver o por do Sol. Mas aqui para os Andarilhos, desafio dado é desafio aceito. Então vamos lá contar melhor essa história.

 

Jalapão: onde as coisas não podem dar errado

Você está num lugar completamente isolado do mundo, onde as estradas são precárias, as distâncias são enormes, não há cidades (só pequenos vilarejos que ficam bem longe um do outro) e o seu 4×4 estraga. Já pensou?

A Korubo, para instalar o seu acampamento e atender aos turistas teve que pensar bem nisso e montou uma equipe que não é nota 10. É nota 1.000! Estava tudo combinado para estarmos bem cedo aos pés da Serra do Espírito Santo. A ideia era fazer a árdua subida enquanto o Sol ainda não estivesse muito quente.

Trilha da serra do espirito santo Jalapao 01Serra do Espírito Santo

Todo mundo madrugando, esfirras quentinhas recém saídas do forno esperavam pela gente no salão do café da manhã. O combinado era comer uma ou duas e levar outras embrulhadas para comer no caminho. Tudo para que não perdêssemos tempo e conseguíssemos ter um passeio agradável.

Entramos no caminhão e poucos metros depois ouvimos um estrondo! Uma mola da suspensão do caminhão simplesmente quebrou. O veículo não andava mais e todo mundo meio frustrado teve que voltar para o acampamento e ver o nascer do Sol ali mesmo, na prainha.

Já pensou se isso tivesse acontecido no meio da estrada, longe de tudo? Até que os cozinheiros-mecânicos-garçons-fazem-tudo conseguissem fazer o conserto já estaríamos todos derretido no calor de 40 graus do cerrado tocantinense! Mas tivemos sorte e o perrengue aconteceu de modo a não gerar nenhum transtorno.

Só que o passeio teve o seu horário modificado. Em vez de subir a serra no frescor do amanhecer, a trilha teve seu horário reagendado para o fim da tarde. A ascensão seria ao entardecer e o retorno depois do por do Sol, ou seja, à noite!

 

Desafios da Trilha da Serra do Espírito Santo

Outra ponto em que eu tenho que elogiar a Korubo. Eles deixam bem claro todos os prós e contras das atividades e deixam o turista livre para decidir se quer mesmo participar ou não.

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Esta trilha não é para quem está fora de forma. A subida é íngreme, com uma inclinação média de 30 graus e percorre um quilômetro morro acima. Imagine você subindo uma escada por uma hora, sem parar. É mais ou menos isso.

Trilha da serra do espirito santo Jalapao 05A subida na trilha

Lá no alto, felizmente, a chapada é completamente plana. São mais 3km até alcançar o mirante. Depois tem que voltar tudo pelo mesmo caminho. O detalhe é que a “escadaria” citada não tem degraus de verdade. São pedras! E várias delas estão soltas. Total: 8km.

Trilha da serra do espirito santo Jalapao 09A parte plana: 3km para ir e 3km para voltar

Se subir é cansativo, a descida exige muito cuidado porque qualquer tropeço pode te fazer torcer o joelho ou até algum acidente pior. No tour original, esse trecho é percorrido sobre o Sol escaldante das 11h da manhã. Nós o fizemos durante a noite. Acrescente as dificuldades em segurar uma lanterna! Por outro lado, a temperatura fresquinha foi um verdadeiro alento!

 

A Trilha da Serra do Espírito Santo vale o esforço?

Sem dúvida! A subida, apesar de íngreme, atravessa rochas imensas. Se olharmos com atenção, elas parecem verdadeiras esculturas de arenito, talhadas pelas mãos da natureza.

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Lá do alto, conseguimos enxergar as veredas, o cerrado, a imensidão do planalto central.

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Depois de cruzar o platô, tem um ponto onde a gente pode tirar fotos incríveis, como se a imensidão do Jalapão estivesse aos nossos pés. Para mim, o lugar mais lindo de toda a trilha. Chegar ali vale qualquer perrengue.

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Eu, a Cris e o Júnior fomos os primeiros a alcançar o platô. Cheios de gana, queríamos ter tempo de chegar até o mirante antes do Sol se por. E conseguimos!

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Algumas nuvens começaram a se formar bem naquela hora, atrapalhando um pouco o espetáculo. Mas a gente conseguiu ver tudo direitinho, mesmo que por trás de um pouco de neblina.

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O mirante, ponto final da trilha, permite ver direitinho o desgaste natural da chapada. Ela está sofrendo constante erosão por causa da chuva, do Sol e dos ventos. À medida que a rocha vai se esfarelando, a areia que surge vai sendo levada em direção ao vale e formando as dunas douradas, a principal atração turística do Jalapão.

Para ver como são lindas as dunas, veja o post especial só sobre elas.

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Como eu sempre digo, a parte mais bonita do por do Sol é o final, depois que ele já se foi. Então a galera que chegou depois também conseguiu aproveitar bem as luzes cor-de-rosa que tingiram o horizonte.

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Voltando ao Acampamento

Apesar da pressa para chegar, a volta foi bem mais tranquila, sem atropelos. Alguns de nós fizeram a subida na maior calma, e conseguiram aproveitar melhor para fotografar a paisagem. A Lilian e a Roberta descobriram até uma trilha alternativa e puderam curtir também o por do Sol, mesmo que de outra maneira.

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A descida pela escadaria de pedras no escuro, aconteceu sem qualquer contratempo, pois tínhamos os guias da Korubo conosco, ajudando e conduzindo nas passagem mais difíceis. No final, nos sentamos todos na areia até que todo mundo terminasse a trilha para que todos entrássemos juntos no ônibus.

Depois de terminada a jornada fiquei pensando: – Será que o passeio seria melhor se tivesse sido feito de manhã? A gente com certeza teria perdido o lindo por do Sol!

Às vezes, quando as coisas dão errado, é porque elas vão acabar acontecendo de uma forma ainda melhor do que o planejado.

 

E veja nossos outros posts sobre essa viagem:

O que tem para conhecer no Jalapão
Como é o acampamento da Korubo

Dia 1
Canyon Sussuapara

Dia 2
Andando (e caindo) de Caiaque

Dunas Douradas

Dia 3
Fervedouros do Jalapão – águas onde é impossível afundar
Cachoeira da Formiga
Artesanato de Capim Dourado em Mateiros

Dia 4
Trilha na Serra do Espírito Santo ao Por do Sol

Dia 5
Cachoeira da Velha e Prainha

Dia 6
Praça dos Girassóis em Palmas – TO

 

 

Nosso compromisso com nossos leitores e por transparência estará assegurado durante todo o evento. Apesar do patrocínio para a viagem, teremos total liberdade de contar nossas experiências para vocês, independentemente se elas forem boas ou ruins. Sem essa garantia, não teríamos topado o desafio.

Escrito por: Gleiber Rodrigues
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19
Nov
2013
6 comentários
  1. Adoro esses desafios e cheguei no final da trilha exausto, mas feliz.

    Temos que voltar pra ver o sol nascendo, lá de cima do morro.

    Abração bro

    • Abração, cara! Claro que sim! Subindo no escuro e voltando depois do nascer do Sol. Seria perfeito.

  2. Jr Caimi
    19/11/2013

    Essa trilha é muito show! Desafiadora, mas compensa todo o esforço, paisagens lindíssimas…

    • Valeu Júnior! Mas as paisagens são ainda mais lindas para os 3 vencedores, não acha? kkkk

  3. Incrível, para mim um dos programas mais esperados, no final como você falou, o dar errado acabou tornando tudo certo, também gostei de fazer no pôr do sol. Só não gostei de descer a trilha no escuro, mas enfim… Perrengues de viagem. rs. Adorei o post e as fotos.

    • Sabe que eu achei que a parte de ir no escuro ia ser muito pior? Mas concordo contigo… são histórias para contar depois! Abração.