Peru além do básico: Vale Sagrado SUL

Essa foi mais uma daquelas aventuras do tipo “tudo deu errado” da nossa coleção de perrengues de viagem. Não me compreendam mal, nós adoramos conhecer as atrações de Tipón, Andahuaylillas e Pikillakta, mas é que deve ter o jeito CERTO de visitá-las, né?

Vale Sagrado Sul Andahuaylillas caesAndahuaylillas

E para ninguém confundir, vou logo explicando: Vale Sagrado SUL, lá no Peru, não é a mesma coisa do tour super famoso chamado Vale Sagrado! Esse passeio visita outras atrações (dependendo da agência que faz estes passeios, Pisaq pode fazer parte de ambos, inclusive) que não são lá tão convencionais.

Mas como todo perrengue, tudo começa com o Gleiber tentando se dar bem…

 

A Contratação do Tour Vale Sagrado Sul

A gente já falou aqui no blog umas mil vezes, mas não custa repetir. Durante nossos dias pelo Peru, nós ficamos 3 noites em Cusco e QUATRO noites dormindo no lindo e chiquérrimo Hotel Rio Sagrado, em Urubamba. Pela proximidade, decidimos fazer o tour de Maras e Moray a partir do hotel, com traslado privativo.

Mesmo depois de pagar caríssimo por contratar um serviço desse tipo, sem guia, só porque sai de um hotel 5 estrelas, eu não aprendi a lição! Olhei para o mapa e procurei no “menu” do hotel um dos passeios que servisse não só para turistar, como também para nos deixar em Cusco.

O Tour Vale Sagrado Sul caiu como uma luva. Ele seguiria para Pisaq, depois para Pikillakta, Andahuaylillas e Tipón, obrigatoriamente passando por Cusco antes de voltar ao hotel. De fato, eles não cobraram para nos deixar na porta do Hotel Terra Viva Saphi, onde dormiríamos. Mas também não teríamos um guia. O cara faria só o transporte mesmo…

Roteiro bacana, né? Se fosse cumprido…

 

Visitando Pisaq, ou não?

Check-out feito no hotel, fomos apresentado ao nosso taxista. Ele tinha alguma dificuldade de entender português, mas quando eu resolvia hablar o meu portuñol, até que saía algum diálogo. O pagamento tinha sido antecipado, pago no cartão de crédito junto com a conta da hospedagem. Talvez esse tenha sido o erro…

Pisaq é uma das atrações do tour do Vale Sagrado convencional. Sabíamos que em determinados dias da semana ali rola uma super feira (acho que quinta e domingo, alguém me corrija se eu estiver falando besteira). E era justamente quinta, ou seja, estávamos entusiasmados em poder visitá-la.

Até que quando percebemos, já tínhamos passado da cidade! O taxista até comentou: “Aqui é Pisaq, uma cidade famosa da região“. Eu, empolgado, ainda comentei: “Hoje é dia de mercado aí, né?“. “Sim“, ele disse. E passou direto!

O Sandro nem percebeu nada… (ainda bem, porque ele adora uma feirinha!)

 

Pikillakta (errada)

Aquela situação me deixou um pouco tenso… Eu até podia pedir para ele voltar e entrar na cidade. Mas refleti: “Ainda bem que não entramos ali. O Sandro ia acabar enchendo as malas de presentinhos e bugigangas e ainda tínhamos a Ilha de Páscoa pela frente. De qualquer jeito, voltaremos a Pisaq quando fizermos o tour do Vale Sagrado“.

Mas, independente disso, eu não poderia permitir que isso se repetisse! Nas próximas atrações a gente não ia poder passar direto! E passei a conversar mais com ele, “avisando” sobre os locais que estavam incluídas no passeio.

Próximo destino: Pikillakta. Bem, vimos até algumas placas apontando para lá. E seguimos direitinho até avistar umas ruínas bem na beira da estrada. Daí eu disse:

– Nossa, nem acredito, vamos conhecer essas ruínas pré-incas, que emoção!

Vale Sagrado Sul Pikillakta

E ele, adivinhem? Passou direto da entrada DE NOVO! Mas dessa vez, não me contive e pedi para ele voltar.

– Ahn… Vocês querem entrar lá dentro?
– Siiiiim!!!
– Mas por que não disseram antes?

Vale Sagrado Sul Pikillakta Ruínas

Não levamos 10 minutos tirando fotos e já estávamos a caminho de Andahuaylillas. O Sandro ficou meio desapontado, mas eu justifiquei dizendo: “Viu como faz falta contratar um guia? Nunca mais vamos fazer isso, né?” O meu desapontamento maior, entretanto, foi que não tinha ninguém ali para checar o nosso boleto turístico.

Vale Sagrado Sul Chega em Pikillakta

Fomos embora sem ganhar o “furinho” de Pikillakta (para entender melhor essa coisa dos furinhos, veja o post em que eu explico sobre o Boleto Turístico de Cusco).

 

Andahuaylillas e a revelação

Logo na entrada da próxima cidade, o taxista confessou: “É a minha primeira vez nesta cidade, não sei nem como se chega na igreja que vocês querem ir”.

Como é que é????

Bem, a cidade não tinha 5 mil habitantes, não deve ser lá muito difícil encontrar a “capela sistina das Américas” num lugar como esse! Então começamos a perguntar aos moradores sobre como chegar até lá.

Vale Sagrado Sul Andahuaylillas

Obviamente não foi nada difícil. Logo, já estávamos visitando o interior da igreja que realmente era assombrosamente linda! Os altares eram revestido de ouro de verdade e tudo era pintado com afrescos incríveis.

Vale Sagrado Sul Igreja Barroca

Eu não me lembro quanto custou o ingresso, mas era baratinho para entrar ali (e fazer fotos era proibido, hehehehe). Fiquei com um pouco de pena de ver um lugar tão lindo num estado de conservação tão precário, mas felizmente, estava rolando uma restauração séria daquele acervo de arte sacra tão representativo do barroco Andino.

Vale Sagrado Sul Afrescos em Madeira Andahuaylillas

Do lado de fora, tiramos um tempo para visitar uma salão onde artesãs vítimas de violência doméstica trabalhavam para garantir independência de seus ex-maridos.

Vale Sagrado Sul Artesas de bonecas

A pracinha da cidade era também muito charmosa, com edifícios contando séculos de idade.

Vale Sagrado Sul Janelas em Andahuaylillas

Ao voltarmos para o carro, ficamos com pena do motorista, que já devia esta com fome (eram quase 2 da tarde, afinal). Mas como nós não estávamos com fome, a gente judiou dele e preferimos seguir viagem! (como somos malvados, né não?)

Se bem que antes de seguir, ele nos deixou em uma lojinha que fazia artesanatos em prata. De fato, foi muito interessante. Mas saímos de lá nos perguntando quanto ele havia ganhado em comissão para nos levar até lá…

Vale Sagrado Sul Artesanato

 

O último dos perrengues: Tipón

Na saída para Tipón, vejo uma outra entrada para Pikillakta. E, da beira da estrada, avisto ao longe umas ruínas ENORMES! Bem, eu havia acabado de descobrir onde é que se ganhava o “furinho” do boleto turístico… Mas fiquei bem quieto. Resolvi deixar para lá.

Vale Sagrado Sul Pikkilacta

Em Tipón, o taxista já tinha entendido que a nossa intenção era visitar as ruínas a todo custo. Então, mesmo quando recebemos o aviso que as estradas estavam bloqueadas até lá, ele insistiu que fôssemos conferir com os nossos próprios olhos.

E estavam mesmo!

Descemos do carro no mesmo lugar onde estava um ônibus estacionado para pedir informações. Daquele ponto em diante, só a pé! Olhei para o Sandro, ele olhou para mim… “Somos ou não somos os Andarilhos do Mundo?”

Bora! Deixamos o taxista lá embaixo e fomos subir a escadaria inca até o topo da montanha, rumo às ruínas sagradas de Tipón. Meia hora depois e, botando os bofes para fora, chegamos.

Vale Sagrado Sul Escadaria Inca

Lá em cima, vimos que toda a caminhada valera a pena. O lugar era de um astral indescritível. Tinha até um cara para fazer os furos no boleto turístico!

Vale Sagrado Sul Vista do alto de Tipon

Uma única fonte de água tinha sido drenada pelos incas para irrigar um verdadeiro oásis de campos férteis e verdejantes.

Vale Sagrado Sul Tipon Fortaleza

Claro que hoje, séculos depois, o sistema já havia sido destruído por alguns terremotos. Mesmo assim, uma grande parte ainda estava em “funcionamento”.

Vale Sagrado Sul Fontes de Tipon

Bem perto da origem dos aquedutos, uma senhora que era contratada para manter o sítio arqueológico limpo, dava informações de guia turístico.

Vale Sagrado Sul Tipon Vertical

 

Tivemos uma aula sobre a história desse lugar mágico e deixamos uma gorjeta de bom grado.

Vale Sagrado Sul Tipon Panorama

 

E como para descer todo santo ajuda, logo estávamos de volta ao nosso carro e também de volta a Cusco. Fomos deixados bonitinhos (quer dizer, um pouco empoeiradinhos) bem na porta do nosso hotel, como combinado.

Até o que o dia não foi de todo perdido, não acharam?

 

Ficou com vontade e quer pesquisar um hotel para se hospedar no Peru? Vale a pena conferir o site do Booking.com. Reservando lá após ter clicado no nosso link, a gente ganha até 1% de comissão, gente! É uma merreca, eu sei, mas vai ajudar o nosso site a continuar vivo. Ajuda aeee!

 

Banner Horizontal Peru

Para navegar pelos posts que já escrevemos sobre o Peru, basta clicar no banner acima. Ou veja alguns links abaixo:

 

Resenhas de Hotel e Restaurante

Hotel Tierra Viva Saphi
Hotel Rio Sagrado – luxo no Peru
Aguas Calientes – o portal para Machu Picchu

 

Machu Picchu

Como Chegar a Machu Picchu
E finalmente… Visitando Machu Picchu
Subindo Huayna Picchu

 

Cusco

City Tour em Cusco parte 1 – Catedral e Qorikancha
City Tour em Cusco parte 2 – Sacsayhuaman
Entenda o Boleto Turístico de Cusco
Batendo pernas em Cusco – devagarinho… 

Escrito por: Gleiber Rodrigues
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comentarios:15
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02
Aug
2013
15 comentários
  1. Luiz Jr.
    03/08/2013

    Hey doc! Não foi tão mal assim ann!? Só deveriam ter contratado o serviço de outro taxista qualquer que deixaria de ganhar a gorjeta gorda do hotel 5 estrelas que vcs estavam hospedados! 😉 De toda forma o Peru é incrível e quero voltar para conhecer um pouco mais desses lugares, quem sabe alugando um carro, ou uma moto? Abração!

    • Então, brother… A gente quis dar uma de esperto para não precisar pagar pelo passeio E pelo translado hotel-cusco. Viu no que deu, né? Quando eu tento ser esperto nunca funciona… kkkkkk

  2. Passei por alguns perrengues também no nosso passeio pelo Vale Sagrado (o básico mesmo), que foi cheio de falhas. O problema é que taxistas estão mais preocupados com a chegada do que com o que há nos trajetos. rs. Mas até que usamos um para ir até Sacsayhuaman e deu tudo certinho. Abs.

    • Pois é. Aprendi uma lição: com guia turístico o passeio fica muito mais legal. Lugares históricos como esse sem algluém para dar uma explicada só tem metade da graça!

  3. Rosanne
    26/04/2014

    Mas diz aí quanto custou o táxi? Fiquei interessada também nessa parte do Valle.

  4. Marcela
    10/06/2014

    Olá, estou adorando o blog e as dicas sobre o Peru. Estou tentando organizar um roteiro para fazer essa viagem mas estou querendo mais dicas. Eu e minha mãe vamos dia 24/07 para Lima, ficaremos até 27/07 qnd pegaremos um vôo para Cuzco, e só retornaremos ao Brasil em 08/08. Gostaria de conhecer algumas cidades próximas a Cuzco ( Nazca, Arequipa, Puno, o q acham?tem alguma outra sugestão de cidade?). Me passem todas as dicas de passeios nessas cidades. Me ajudemmm… Pleaseee!!

    • Oi Marcela,
      Eu não tenho dicas para essas regiões porque não as visitei, mas vou avisando que elas são cidades bem distantes de Cusco! Entre todas, eu escolheria Arequipa e Puno. Mas só vá se tiver explorado bem toda a vizinhança de Cusco e Vale Sagrado. Abraços.

  5. ilza
    28/03/2015

    camos eu e meu esposo de 21 a 28 de julho. sera que compensa ir sem agencia de viagem pros pacotes? tipo queri apenas ja deixar acertado a ida a machu picchu e dormida em aguas calientes e depois- quando chegarmos la procurar quem nos leve a puno e vale sagrado. sera que rola? agradeço se me responderem. abçs ilza

    • Oi de novo,
      Para ir a Puno é o mais complicado. Mas estando em Cusco, há váaaaarias agências que te levam pelo Vale Sagrado, isso já é bem fácil e não precisaria ser contratado com antecedência mesmo não. Sempre que a gente viaja sem pacote, dá um medo. Por isso mesmo, minha sugestão é contratar o pacote sim, mas só para o mais difícil. Deixa eles comprarem o ingresso para Machu Picchu (dá trabalho também) e reservarem o trem / hotel em Aguas Calientes e contrate o traslado para Puno. O resto vocês podem fazer de forma independente.
      Abraços.

  6. ilza
    28/03/2015

    continuando… “meninos” somos de uberlandia/mg. outra coisa o preço pelo pacote de uma semana está por volta de 1670 dolares/casal basico (cusco, aguas calientes, machu picchu e puno) compensa? pensamos em contratar apenas para ir A calientes e MPicchu… Mas e o medo de dar errado… help-nos.

    • Oi Ilza,
      Então… Se esse passeio já inclui Puno, achei o preço justo. Por que daria errado? Só o deslocamento de Cusco a Puno já dá um baita trabalho se for organizar sozinha… Abraços.

  7. bianca
    13/04/2015

    Oi Gleiber, tudo bem? Vou a Cusco agora em maio, e me interessei muito por esse passeio. Principalmente pelo trabalho das artesãs em Adahuaylillas. Caso eu vá pelo city tour, consigo dar uma fugidinha para conhece-las? Elas ficam onde?

    beijos e obrigada!

    • Oi Bianca,
      O City Tour não chega a Andahuaylillas. Você teria que pegar o tour do Vale Sagrado Sul.
      Elas ficam bem na praça principal da cidade. Não tem erro. Há uma placa na frente.
      Abraços.

  8. Kamylla Batista
    14/04/2016

    Estou planejando o seguinte roteiro:
    1 dia – Chegada em Cusco, aclimatar-se, comprar o boleto turístico e fechar pacotes de passeios com agências locais;
    2 dia – City Tour Cusco;
    3 dia – Vale Sagrado Sul + MARAS E MORAY (Gostaria de saber.. é possível acrescentar esses dois últimos locais (Maras e Moray) para esse dia com a agência?);
    4 dia – Vale Sagrado Inca, deixando a excursão em Ollantaytambo para pegar trem para Águas Calientes;
    5 dia – Machu Picchu/Subir Huayna Picchu, depois voltar para Cusco;
    6 dia – Passear por Cusco de forma tranquila, fazer compras;
    7 dia – Deixar o Hotel e ir para o aeroporto, voltar para o Brasil.

  9. Antônio
    20/04/2016

    E vocês acharam divertido tirar fotos da igreja mesmo sabendo que era proibido? Um pouco mais de respeito pelas coisas históricas é bom, a proibição provavelmente tinha como intuito a preservação.