Vulcão Teravaka – o pico mais alto da Ilha de Páscoa

Nossa jornada em Setembro de 2012 passou pelo pico mais alto da Ilha de Páscoa: o vulcão Teravaka. Embora a gente não tenha entendido bem se aquilo era um ou vários vulcões, ao menos deixamos o nosso bastão de trilha lá no topo, onde repousavam os cajados de vários outros andarilhos como nós.

Teravaka paisagem

Não tem mamão-com-açúcar aqui. Ou se chega de trilha (1h30 em cada sentido) ou a cavalo. Veículos motorizados são proibidos e subir aquilo de bicicleta pode não ser lá muito aconselhável. Embora não seja assim tão longe, exige um pouco da preparo físico, mas nada que já não estivéssmos acostumados.

Só que tem muita gente que o-d-i-o-u Teravaka… Será por quê?

 

Os Vulcões da Ilha de Páscoa

Teravaka é uma elevação de terra no canto norte da Ilha de Páscoa. É só olhar o mapa para entender. Cada vértice do triângulo é um vulcão adormecido: Teravaka ao norte, Poike a leste e Rano Kau ao sul.

 Mapa da Ilha de Páscoa. Fonte WikipediaFonte: Wikipedia

Além destes, há vários outros vulcõezinhos como Puna Pau, Rano Raraku e Cerro Puhi. E a nossa meta era conhecer ao menos os três vulcões principais.

 

Como Chegar a Teravaka

Sem ter feito muita pesquisa prévia, a gente se debruçou sobre os mapas que arranjamos e conversamos com alguns ilhéus. Todo aquele maciço que está à esquerda da estrada que vai de Hanga Roa para Anakena é hoje uma área de preservação. Portanto, nada de veículos motorizados.

Maunga Teravaka - placa

E essa foi justamente a primeira pista que tivemos. Há uma placa nasta rodovia apontando para “Rano Aroi”, para uma estrada de chão batido. Só que há uma outra MEGA placa dizendo que era proibido entrar ali de carro por ser uma área de reabilitação ecológica.

Teravaka Placa na estrada

Devia ser ali o início da trilha. E era.

 

A Trilha para o Vulcão Teravaka

Deixamos nosso carro bem ali debaixo dos eucaliptos, onde começa a estrada morro acima. A tentação de continuar de carro era grande, mas o medo de sermos multados era ainda maior. Então, a passos lentos, começamos a nossa trilha.

O início da trilha para Teravaka

Alguns quilômetros depois, vimos que alguns turistas não tinham tido o mesmo pudor que a gente e seguiram de jipe 4×4 pelos barrancos que tínhamos atravessado. A pé tinha sido fácil, mas eles devem ter tido um pouco de trabalho para dirigir naquelas condições. A vontade era de fotografar a placa e denunciar aos guarda-parques!

Depois de uns 45 minutos caminhando a sede apertou e encontramos companhia. Nós nos atracamos com as nossas garrafinhas de água mineral, aliviando um pouco o peso das mochilas enquanto diversos cavalos selvagens bebiam de uma espécie de lago natural.

Teravaka lago natural - Rano Aroi

Depois de ver as crateras dos vulcões Rano Raraku e Rano Kau (vale conferir os posts que escrevemos sobre esses lugares, são paisagens incríveis!), ficamos nos perguntando: será que aquela coisinha de nada era a cratera do Teravaka???

Estávamos desinformados, mas não completamente! Sim. Aquele era um dos únicos três reservatórios naturais de água doce da Ilha de Páscoa, o lugar que provavelmente era chamado Rano Aroi.  Mas o pico mais alto não era ali, até porque ainda víamos muita ladeira para subir à nossa frente.

 

Os Campos Altos do Vulcão Teravaka

Logo depois do laguinho terminam os eucaliptos, a sombra e os pontos de referência. A gente chega num descampado coberto de um capim alto e amarelento, com uma e outra árvore perdida para contar história.

Teravaka a cavalo

Se o lugar é bonito? É. E a vista? Tá, vê-se o mar azulzinho ao oeste logo depois dos cercadinhos onde estão centenas e centenas de cavalos.

Teravaka vista para o mar

Ao Sul, mal distingue-se a cidade de Hanga Roa, com suas casinhas pequenas. Rano Kau, então, láaaaaa longe, tem que ficar na imaginação.

Teravaka: vista de Hanga Roa e Rano Kau

Algumas outras elevações aqui e acolá indicam a presença de outros vulcões na ilha. Não eram apenas 3, afinal. Depois de ver quantos ainda faltavam, a nossa vontade de visitar todos já tinha até passado…

Teravaka vista de Rano Raraku

Começamos a andar a esmo, tentando achar qual daqueles cucurutos afinal era o mais elevado. Quando se está em campo aberto, as distâncias enganam muito. Aquela árvore “logo ali” pode estar tanto a 5 quanto a 25 minutos de distância, difícil saber com tanto sobe-e-desce. E a visão que alcança tão longe faz a gente ter a falsa impressão de que é impossível se perder.

Mas no fim, a gente se perdeu.

 

O Pico mais Alto da Ilha de Páscoa

Ainda bem que tinham outros trekkers por lá, além de um grupo de turistas que estavam vindo a cavalo. Porque senão a gente estava lá até hoje procurando qual daquelas colinas era a mais alta.

Quando vimos que todo mundo estava indo na mesma direção, a gente resolveu ir para o mesmo lado e tcharã!!!! Chegamos na cratera de um vulcão!

Trilha Teravaka

Foi meio brochante, confesso. Para quem tinha visto as cores exuberantes de Rano Raraku ou a paisagem exótica de Rano Kau, aquilo era, de certo modo, uma decepção. E pior! Nem era ainda o ponto mais alto.

Cratera do vulcão Teravaka

Do LADO havia outra cratera. Depois de 5 minutinhos de mais caminhada (ou teriam sido 25?) estávamos daí sim, no lugar certo. No fundo, no fundo, eles parecia ser os dois da mesma altura, mas só em um deles havia aquela pilha de pedras e cajados de madeira que andarilhos deixam no cume de montanhas.

Teravaka pico da Ilha de Páscoa

Então isso era a prova que tínhamos conquistado Teravaka e a famosa visão em 360 graus de toda a Ilha de Páscoa. Se isso era grande coisa eu não sei, mas a gente estava bem feliz!

Teravaka borda das craterasAs duas crateras de Teravaka, uma do lado da outra

A Ventania

Só tinha uma coisa chata: a ventania! Todos os lugares altos da Ilha de Páscoa compartilhavam aquele vento horroroso, que dava a impressão de nos derrubar lá embaixo a qualquer momento. Tinha horas que o Sandro chegava a me segurar com medo de que eu caísse enquanto tirava as fotos. Sério.

 

A Volta

Para descer todo santo ajuda, certo? Não quando são os Andarilhos do Mundo… Porque quando a gente percebeu, estávamos subindo numa terceira cratera, inconfundível porque tinha uma árvore solitária dentro.

Teravaka cratera com árvore solitária

Definitivamente a gente não tinha vindo por ali. O Gleiber já ia bem alegre na direção dos outros trekkers quando o Sandro se deu conta que eles não estavam indo rumo aos eucaliptos, nem ao lago dos cavalos.

Então com muita sorte e um pouco de senso de direção, conseguimos achar o nosso caminho de volta, tendo perdido provavelmente mais uns 30 minutos de pernadas por causa disso. Descubrimos depois que há um outro caminho para Teravaka, com praticamente a mesma distância, vindo pelo Ahu Akivi (no post-guia sobre os moais da Ilha de Páscoa, a gente colocou um mapa de onde fica o Ahu Akivi).

Ao voltar para a rodovia asfaltada, matamos nossa fome com um sanduba e fomos passar o resto da tarde lagarteando na praia de Anakena

Isso é que é vida de aventureiro.

andarilhos do mundo banner ilha de páscoa

Quer ver todos os nossos posts sobre a Ilha de Páscoa? Clique no banner acima ou nos posts relacionados abaixo:

 

Atrações Turísticas da Ilha de Páscoa

Dá praia na Ilha de Páscoa
Vulcão Rano Kau – o mais exótico
Vulcão Rano Raraku – o mais lindo

Vulcão Teravaka – o mais alto
Vulcão Pu’i – o mais nada a ver

Escrito por: Gleiber Rodrigues
Compartilhe:
comentarios:4
Posts Relacionados:
11
Feb
2013
4 comentários
  1. Milene Faria
    16/04/2013

    Subi o Terevaka tb e fiz o vídeo perto do monte de pedras que os “andarilhos” deixam. Deixei a minha, claro! Muitos cavalos na subida. Não vi muita gente subindo não. Achei muito legal a visão lá de cima. E antes de chegar na parte mais alta, também me enganei e subi em algumas crateras. Vi a da árvore solitária e mais uma onde havia um único cavalo. Depois, continuei, porque sabia que deveria existir um lugar mais alto, com a montanha de pedrinhas…

    • Então… Vi gente que não curtiu a aventura, mas a gente amou… É uma paisagem incrível, a gente se sente “dono do mundo” pela vastidão, por ter tão pouca gente. Não acha?

  2. Julia
    26/04/2013

    Faço parte dos que odiaram subir aquilo. Mas subi… fazer o que…. hahahahaha
    Ah, e claro, fiz o vídeo da ventania! Viu como continuo me identificando com os posts daqui?

    • Pois é, Júlia. Eu bem que avisei que tem gente que não curtiu. Porque conversamos com uma galera lá na Ilha mesmo que nos avisou para não irmos, que não tinha graça! Mas a gente até apreciou o passeio. Tanto que ainda subimos o Pi’u no mesmo dia! kkkkkkkk