O verdadeiro umbigo do mundo – e bem limpinho

A Ilha de Páscoa é também conhecida como o umbigo do mundo. Distante 3.400km da costa chilena e 1.900km da ilha mais próxima, é o lugar habitado mais isolado da face da terra. Seus habitantes originais (o povo Rapa Nui), tinham toda a razão de imaginar que lá era o próprio centro do universo.

Nós já tínhamos ouvido essa história também e estávamos conformados com essa explicação. Mas como já contei nos outros posts da nossa série sobre a Ilha de Páscoa, a gente não tinha feito programação alguma antes de viajar. Portanto, nunca íamos adivinhar que dava para visitar o tal umbigo do mundo propriamente dito, em “carne e osso”!

Umbigo do Mundo Ilha de Páscoa a beira mar

Mas não pensem que fazer essa descoberta foi coisa fácil. Pior ainda, não pensem que depois de encontrar o umbigo do mundo, foi fácil se aproximar dele. E para completar, não pensem que foi fácil evitar o fim do mundo em 21 de Dezembro de 2012 usando as energias magnéticas sagradas da ilha de Lost!

Deixa eu contar essa história direito…

 

 

Ahu Te Pito Te Kura – a primeira investida

Estávamos nós inocentes e desinformados fazendo a nossa Caçada aos Moais da ilha de Páscoa e tentando achar cada ruína, caverna ou estátua que estivesse no mapa.

isla de pascoa mapa te pito te kura

Se algumas indicações do mapa não foram sequer encontradas, Te Pito Te Kura foi dos fáceis. Tem um recuo para estacionar o carro e sinalização. Prova de que era dos importantes. Mas de longe já dava para ver que era mais uma furada, mais uma plataforma em ruínas, como dezenas de outros que tínhamos visto naquele dia.

Perguntamos para uma guria que passou por nós se era aquilo mesmo, se eram apenas moais caídos. E ela respondeu com uma ênfase desproporcional: “Sim!!! Aqui é o T-E P-I-T-O T-E K-U-R-A!!!” Tá bom! A gente foi lá tirou umas fotos de celular (a bateria já tinha acabado, era fim do dia) e fomos embora meio decepcionados.

Umbigo do Mundo Ilha de Páscoa o ahu te pito te kura

Só no dia seguinte, no jantar, é que a gente foi entender porque o lugar era tão bem demarcado!

 

Ahn… Te Pito Te Kura, cara!!!

A gente foi num jantar típico Rapa Nui com danças e música folclórica. Na hora do buffet, tínhamos que nos sentar naquelas mesas grandes junto com outras pessoas. E como sempre acontece em situações como essa, fizemos uns amigos.

Conversa vai, conversa vem, e graças à dica do Lúcio e do Ítalo, descobrimos mais um lugar imperdível para visitar na ilha. O lugar onde os Rapa Nui achavam ser o umbigo da ilha que era o umbigo do mundo: uma pedra com propriedades energéticas e magnéticas. E onde fica? Em Te Pito Te Kura! Bem à esquerda do ahu!

Como é que a gente não tinha visto?

 

Voltamos lá no dia seguinte prontos para tirar fotos (de verdade) e trazer a dica para vocês aqui no blog! Só que havia umas 3 vans e mais uns 2 ônibus parados no “estacionamento”. Resultado: uma horda de turistas fazendo fila para colocar as mãos na pedra sagrada e sentir suas vibrações positivas.

Umbigo do Mundo Ilha de Páscoa sinalização

Eram umas 100 pessoas, eu acho! E sempre chegando mais! Estávamos desistindo de esperar todos tirarem suas fotos, encostarem a testa na pedra e fazerem suas poses de meditação, quando umas brasileiras nos animaram relatando as propriedades curativas daquele momento transcendental.

Mas fala sério… Como é que a gente ia relaxar e ter algum momento “mágico” com um monte de gente nos apressando, disputando aquele minutinho ao lado da “pop star” da ilha a tapas? Resolvemos voltar depois, no fim da tarde, para ficarmos a sós com a danadinha e ver se era verdade aquilo tudo que estavam dizendo.

Umbigo do Mundo Ilha de Páscoa horda de turistas fazendo filaFila de turistas esperando para tocar o umbigo do mundo

 

Finalmente, a magia acontece

Não foi fácil assim mesmo. Eram já mais de 18h já, e tinham ainda umas 10 pessoas ao menos por ali. E continuava chegando gente.

Esperamos ao menos uns 20 minutos até que o lugar ficasse vazio. E foi só a galera se mandar que o Gleiber aqui já estava se sentando e botando as mãos sobre a rocha quente.

Umbigo do Mundo Ilha de Páscoa

As bússolas giram enlouquecidas, completamente desorientadas, quando são colocadas sobre ela, sabiam? A gente só acreditou porque vimos com os nossos próprios olhos.

– É assim que faz Sandro? A gente bota a mão e pede para todas as coisas ruins irem embora para as profundezas da terra? Foi assim que o guia falou, né?

– Gleiber!!! Tira essa mão daí! Se aquela multidão de pessoas fica pedindo isso, essa pedra deve estar cheia é de energia negativa! Eu é que não vou botar minha mão, quanto mais encostar a testa. Vai me dar é dor de cabeça!

– Mas Sandro… A gente custou tanto para ter esse tempo a sós com o umbigo do mundo aqui… A gente faz o quê agora? Vamos embora? 

– Vai ver era um aviso para a gente não vir, por isso foi tão difícil! Mas espera aí… Tive uma ideia!

Quando o Sandro “tem uma ideia”, lá vem coisa…

 

Limpando o Umbigo do Mundo

E lá fomos nós procurar uma pedra côncava o bastante que servisse para pegar um pouco de água do mar. Claro! Se sal grosso serve para tirar qualquer “coisa ruim”, a água salgada também deveria ter o mesmo efeito. Assim poderíamos tirar toda a zica e a nhaca que pudesse ter ficado ali, trazida pelas pessoas que despejavam suas angústias, problemas e sofrimentos na esperança de algum tipo de renovação.

Não é que deu certo?

Quando jogamos a água sobre a rocha quente, várias bolhas se formaram. E a sensação de que tinha “funcionado” foi evidente. Só aí o Sandro conseguiu fechar os olhos e sentir o “poder” do umbigo do mundo, naquela ilha distante no Pacífico Sul.

Umbigo do Mundo Ilha de Páscoa energia

E, claro, não pudemos ficar mais tempo ali, porque já tinha mais gente chegando. O que será que os próximos pensaram quando se depararam com a pedra toda molhada? 😀

 

Dever cumprido

Voltando para o nosso carro com a sensação dever cumprido, tive um insight:

– Sandro, já parou para pensar que isso nunca deve ter sido feito? Que em centenas de anos, essa pedra que hoje é tocada por tantos turistas e foi parte de cerimônias religiosas Rapa Nui, pode nunca ter sido “limpa”?

– Nossa, é mesmo, né? Será que precisava dos Andarilhos do Mundo virem aqui para que a energia magnética do umbigo do mundo fosse endireitada? Já pensou?

Bem, só sei de uma coisa. Se o mundo não acabar em 21 de Dezembro de 2012, como previsto, vocês já tem a quem agradecer!

 

Confira mais dicas, relatos e roteiros sobre a Ilha de Páscoa clicando no banner abaixo:

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Escrito por: Gleiber Rodrigues
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comentarios:31
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31 comentários
  1. Edson Maiero
    27/11/2012

    kkkk, lavar a pedra foi demais. Aliais, bem que o guia comentou que a pedra estava manchada porque algum turista maluco jogou água salgada nela….

  2. Clarissa Donda
    27/11/2012

    Adorei os relatos! Também tenho mania de escrever meus pensamendos e sacadas geniais durante as viagens. Bacana que acrescenta um toque divertido e pessoal à experiência (e porque não dizer, cômico)…

    Pô, Gleiber… Mas vai que descobrem, sei lá, um manuscrito dizendo que a maldição do mundo será jogada na cabeça da humanidade se algum maluco “macular” a pureza da pedra sagrada com água do mar… Aí a gente já vai saber quem foi! 😛

    Fora que os outros visitantes devem ter achado que vocês fizeram alguma traquinagem ao ver a pedra toda molhada e vocês saindo de fininho…

    • Devem ter pensado que era a pedra “vertendo lágrimas” ou alguma manifestação exotérica nova! Um pedra que faz bússolas girarem enlouquecidas pode fazer um pouquinho de água brotar, ou não? kkkkkkkkkk

  3. Hahahaha, limpar a pedra foi sensacional! Todo equilíbrio do planeta será afetado! Socorro!!
    Relaxa que, tal como qualquer umbigo, merece uma limpezinha de vez em quando né? rssss…
    Muito legal os relatos, só confirma mais a Ilha de Páscoa na minha lista!
    Abraços!

  4. Jodrian Freitas
    28/11/2012

    Só vocês para contar um passeio dessa forma. Fantástico. Os Maias não previram que alguém iria lavar a pedra. Putz…
    Abração
    Jodrian

  5. Estamos amando seus posts!
    Bem humorados e cheios de vida!
    Conseguia ver vocês indo até a água e depois jogando na pedra, quase como um ritual! Rsrs.
    Parabéns!

    • Precisava ver a gente procurando uma pedra que pudesse trazer água suficiente e que não pesasse uma tonelada! Foi uma cena inesquecível!

  6. Jennefer
    28/11/2012

    Só o titulo ‘E bem limpinho’ já tava fazendo valer a leitura. Agora a idéia do Sandro foi ótima, porque a lógica estava corretissima (tô falando sério). Ótimo post.

  7. Daniela
    28/11/2012

    Delícia de post! Ri muito do diálogo publicado! rs
    E antes que me esqueça, obrigada por limpar o umbigo do mundo e me livrar de qualquer problema! rs

    • Obrigado pelo comentário, Daniela. A gente fez tudo isso por muito amor à humanidade! 😉

  8. jose roberto
    01/02/2013

    olá, voltei de uma longa viagem ao chile onde a ilha de pascoa foi o ponto principal. de fato, como já colocaste, barato lá só o marido da barata, mas como fiquei de retornar acerca da peripécia da água na pedra, realmente ficou uma mancha na mesma, e a guia afirmou que foi um turista que jogou água do mar. não foi uma boa idéia ter feito isso, mas não disse que foram vocês.

  9. Gardenia
    29/03/2013

    A-D-O-R-E-I!!! Logo menos, conferirei qual é o estado da pedra e tb a lavarei para tirar a zica alheia…hahaha! Lindo post! Bjoca

    • Ouvi dizer que a pedra já voltou ao “normal”, ufa! Estava me achando um vândalo arqueológico… kkkkkkk Obrigado pela visita!

  10. Renato
    02/09/2013

    Gleiber, alguns contam uma história de visitas não humanas nesta ilha – diga-se que até atualmente – e aparições de naves. Lá se fala algo a respeito destas histórias?
    Abraço e parabéns por tudo.

    • A gente não conversou a respeito dessas histórias com ninguém por lá não, Renato… Sinto decepcioná-lo… 🙁

  11. Carla
    20/09/2013

    Estive na Ilha de Páscoa em setembro do ano passado e também cheguei ao umbigo do mundo. Obrigada por lavarem a pedra e finalizarem meu processo de eliminação de coisas ruins e zicas. rsrs

    Parabens pela qualidade dos post, sempre informativos e bem humorados!!!!

    Abraços

    • kkkkkk Ainda bem que alguém sentiu a importância cósmica do nosso trabalho! 🙂 Obrigado por nos visitar, Carla.

  12. Nathália Gonzaga
    29/09/2014

    Oi, boa noite, estamos montando nosso roteiro de viagem Bolívia/Chile/Peru, e estamos muito animados e interessados em conhecer a ilha de Páscoa.. Gostariamos de saber de qual cidade do Chile embarcaram e os preços. Obgd.

    • Oi Nathália,
      A gente foi para a Ilha de Páscoa via Lima, no Peru. Mas parece que essa rota já nem existe mais. Agora, só mesmo via Santiago. Entrem no site da LAN e façam a pesquisa de preços.
      Abraços.

  13. Lidia Pinto
    03/06/2015

    Lamentável o episodio da água na pedra. As leis nacionais chilenas quanto a atos contra monumentos nacionais (conaf – Patrimonio de la Humanidad por la Unesco en diciembre de 1995), esta explicita em todo o parque. Como cidadã chilena fico extremamente triste com tal episódio. Lamentável

    • Água do mar sobre uma pedra a beira-mar? Sério? Que tipo de dano isso poderia causar?

      • Lidia Pinto
        03/06/2015

        Estive em rapa nui em varias ocasiões. Sou doutora em Engenharia Química e Materiais, estive além de turismo em atividades cientificas. O calor na pedra (quente ao estar exposta ao ambiente), com fases mineralógicas típica desta e uma água de composição salina (fria), podem danificar estruturalmente a pedra (pelo que me consta esta pedra deve, apesar de não haver sido realizado uma fluorescência de raios x, conter Fe e Ca). Mas alem deste fato, o principal é, um patrimônio chileno e mundial. Não deve ser atentado ou feito qualquer ato não autorizado pelo conaf. Este ano, estive la e alertamos turistas quanto a entrada em cavernas em Ovahe que estão em estudo.

        • Oi Lídia,
          Nunca foi a nossa intenção danificar nada. De verdade, a gente nunca imaginou (e continuamos incrédulos, de verdade), que a nossa intervenção pudesse fazer algum mal em algo que já está exposto à chuva e ao sol, 24h por dia. Mas como você, com certeza, entende muito mais disso do que eu, resta a nós sentirmos vergonha da nossa gafe.

          Mas ainda acho que, energias positivas ou negativas envolvidas, você parou para pensar no dano causado pelas duas centenas de turistas que diariamente tocam aquela mesma rocha com suas mãos cheias de gordura, ácido úrico e outros sais? Se há risco de dano, os guias deveriam parar de incentivar as pessoas de ficarem “sentindo a energia” do “umbigo do mundo”. Só acho.

          Obrigado pelo alerta

          • Lidia Pinto
            07/06/2015

            Ja parei para pensar sim. Esta pedra em questão tem significado especial ao povo rapa nui, ela e utilizada ainda hoje em cultos ancestrais. Portanto fazendo parte da cultura ancestral, permite-se tocar esta pedra, e digo, esta pedra e mais nenhuma como os moais. Como um sr.rapanui, descendente, sr.Petero, disse “nos compartilhamos a honra de tocar a pedra do Ariki Hotu Matua’a”. Portanto, e principal, temos que respeitar, não só as normas do conaf, como tambem respeitar principalmente este povo ancestral. Tecnicamente, esta pedra não compartilha mesma mineralogia dos moai,que são compostos de escoria vulcanica preta e vermelha, muito mais fragil. Em joalheria, pedras semipreciosas são protegidas com oleos e parafinas.