Aswan e Abu Simbel – Egito parte 3 de 5

Depois das atrações turísticas do Cairo, o que mais faz sucesso no Egito é o famoso Cruzeiro pelo Nilo. Diferente dos cruzeiros oceânicos, que usam grandes transatlânticos para milhares de pessoas, nesse caso usam-se embarcações um pouco menores, mas não menos glamurosas dependendo da categoria escolhida quando contratar o seu pacote.


Nosso barco, o Nile Ruby

Há basicamente três categorias: turística, primeira e luxo, correspondendo a 3, 4 e 5 estrelas, respectivamente. Todos eles navegam entre as cidades de Aswan (uma cidade bem ao sul do país) e Luxor (no centro do país), em ambos sentidos.

O problema é que você tem que se deslocar do Cairo até uma dessas duas cidades para pegar o cruzeiro no Nilo. Na verdade, nem é um problema tão grande assim, pois quase todo mundo faz esses translado (Cairo – Aswan e depois Luxor – Aswan, ou Cairo – Luxor e Aswan – Cairo) de avião. No nosso caso havia a opção de fazer o passeio de trem, o que barateava MUITO o preço do pacote.


Detalhe da cabine do trem

Na mania de querer economizar, adivinhe o que os Andarilhos resolveram fazer? Aguentar quase 16h de trem do Cairo até Aswan sem dormir direito, com direito a freadas repentinas na madrugada (a cada 30min?), queda da cama, poeira do deserto nas ventas e uma sensação de desolação absoluta de estar no meio do nada completo sendo levado de não-sei-lá-onde para um-lugar-mais-longe-ainda-da-civilização.

Tá. Foi uma experiência, no mínimo, antropológica. Tinha janta, café da manhã, a comidinha era estranha, mas não exatamente ruim, tinha cama para dormir (embora as freadas do trem – WTF! – não permitissem uma noite exatamente tranquila).


Esperando o café da manhã com bom humor, né?

Então, se você PUDER, vá de avião, você vai ganhar uma noite a mais no ar condicionado do hotel… Mas se foi topar a indiada, desencana e divirta-se, porque terá com certeza muitas histórias para contar depois.

Em Aswan, começa o cruzeiro propriamente dito.

Na verdade, você se instala na sua cabine, conhece o barco e já vai para uma excursão meio chata para demonstrar como é que os egípcios construíam aqueles obeliscos (enormes pedaços de pedra compridos que adornavam a entrada dos templos).


O Obelisco inacabado

Em Aswan fica uma espécie de pedreira, onde eram fabricados os tais obeliscos (que pesavam toneladas!) e de lá os Egípcios transportavam pelo Nilo os tais monumentos até o Cairo. Bem, considerando que na época eles não tinham os trens maravilhosos que temos hoje no país (cof! cof!)…

Na verdade, parece que todas as pedras das grandes pirâmides também fizeram esse mesmo caminho. Não é incrível? Mas deixando de lado a história, fizemos um passeio pela usina hidrelétrica construída pelo presidente (ditador) Nasser e que fez surgir um lindo lago de águas azuis e margens sem vida (como pode ter tanta água e não chover, meu Deus?).


Lago Nasser sem uma mísera plantinha nas margens…

Esse lago fez com que o ciclo de cheias (e secas) periódicas do Nilo desaparecesse para sempre, mas por outro lado gera quase que 100% da energia elétrica do país.


Pôr do Sol no passeio de Faluca

Ali, fizemos um passeio num barquinho típico (a faluca), aprendemos umas dancinhas, compramos uns colarzinhos para ajudar os locais com seu artesanato e tivemos a oportunidade de conhecer a cultura núbia do sul do país.


Essas são as falucas

Nessa região, os núbios são o povo dominante, uma etnia mais africana de fato e tez mais negra (e olhos incrivelmente verdes na maioria das vezes). Já no baixo Nilo (norte do país), a etnia árabe é a dominante, uma raça que ocupou o país vindo do oriente médio. Resumindo: no Cairo eles tem aquela cara de turco, sabe?

No dia seguinte bem cedo, fomos até o extremo sul do Egito, um povoado chamado Abu Simbel, conhecer um dos mais famosos templos egípcios. Esse passeio se faz de avião (Egypt Air, bem decente!) e é um bate-e-volta que sai bem cedo para estarmos todos de volta ao meio dia.

Uma manhã é tempo mais do que suficiente para conhecer as ruínas que se tornaram uma espécie de milagre da engenharia moderna.
Moderna?

Sim…

As ruínas ficam na região que foi alagada quando o lago da hidrelétrica de Aswan foi construído e, para não serem engolidas pelas águas do Nilo, um consórcio tipo MUNDIAL de empresas de engenharia em parceria com a UNESCO e sei lá mais quem, simplesmente recortaram os templos (são dois, na verdade) da rocha raiz e transportaram inteirinhos para alguns metros acima, salvando-os de serem alagados e perdidos para sempre.

E o mais louco!

Duas vezes por ano (no equinócio da primavera e do outono) exatamente às 05:58h um único raio de luz penetrava o templo e percorria a distância de 65m até o fundo para iluminar as estátuas divinas do santuário. Inicialmente ilumina Amon-Rá, o deus Sol, depois ilumina Harmakis e a seguir a imagem do próprio faraó até desaparecer por completo. A estátua de Ptah, deus da obscuridade, entretanto, nunca é iluminada.

Esse espetáculo, chamado de milagre do Sol, ainda acontece mesmo depois do templo ter sido deslocado, apenas com um atraso de poucos minutos em relação ao horário original.


Ptah, Ramses, Hamakis e Amon-Rá, nessa ordem

Ao lado do incrível templo erguida pela honra e glória de Ramsés II (assim como quase todos os outros templos pelo país afora), estava um templo erguido à sua amada Nefertiti. É o único templo em toda o Egito com uma imagem feminina em sua fachada.


Templo para a mais querida dentre as esposas de Ramsés II

Bem, acho que é isso.

Acompanhe a série completa com os links abaixo:

Geral

   Pacote Turístico
   Dicas para Turistas

 

Aswan

   Aswan e Abu Simbel

 

Cairo

   Passeios no Cairo

 

Luxor

   Cruzeiro no Nilo e Luxor

 

Escrito por: Gleiber Rodrigues
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comentarios:13
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Jun
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13 comentários
  1. Michel
    21/06/2011

    Grande doutor! Que aventura hein cara? Mas essas loucuras que rendem histórias pra contar o resto da vida! O que contar de uma viagenzinha de avião? uhauhauhauh sempre legal dar um pulo aqui cara, continue sempre divulgando teu trabalho e compartilhando essas experiências com a galera! E valeu pelos comentários no meu blog tb! Estive pensando que a gente se “conhece” há uns 15 anos cara.. olha só que loucura! Grande abraço e força sempre! Michel

  2. Gleiber
    21/06/2011

    Valeu a visita, grande Zylberberg! 15 anos é tempo ducarai, hein! Será que a Kesia ou o Fe Felix, não estão no face, hein? Vou procurar os loucos… Abração e força sempre! Ouça no volume máximo…

  3. Milton Kennedy
    24/06/2011

    Pô mano legionário Gleiber, curti muito este post! Muito divertida a sua forma de relatar a viagem, faz-nos ter vontade de vivenciar a aventura. Adoraria conhecer o local (sobretudo por ser arquiteto), porém no momento ainda não é po$$ível, rsrsrsrsrs.

    Posso copiar algumas fotos da matéria? É claro que citarei a fonte quando utilizá-las.

    Grande abraço, saúde e muita paz!

    Valeu pelo comentário lá no blog!

    Legião na veia, sempre!!

    =)

  4. Gleiber
    24/06/2011

    Valeu demais a visita, monada! Eu posto uma vez por semana mais ou menos. E fique à vontade para usar as imagens. Abração e força sempre.

  5. Felipe
    14/04/2013

    Boa noite!
    Muito boas as informações do seu blog, parabens!
    Viajo para o Egito em maio e pretendo passar cerca de 7/8 dias, com pouco dinheiro…indo pra Israel o u Jordânia depois. O que me aconselha como imprescindível conhecer?

    • 7-8 dias? Sugiro ficar uns 2 dias no Cairo na chegada para conhecer bem as pirâmides, o bazaar, o museu do Cairo, Sakhara e a mesquita de Alabastro. À noite, vá a algum jantar no Nilo. Vale a pena. Depois, pegue um desses cruzeiros pelo Nilo. Você vai ter que se deslocar para Aswan para pegar o barco e navegará por 4 dias (e 3 noites) até Luxor, onde compensa passar mais um ou 2 dias. Se você for mergulhador, troque o cruzeiro no Nilo por uma visitinha ao Mar Vermelho (Sharm El Sheik). A gente não foi, mas dizem ser lindo demais. Mas vá a Luxor nem que seja para conhecer só as atrações arqueológicas da cidade, mesmo indo a Sharm El sheik.

  6. Angela
    15/05/2013

    Viajei no Nile Ruby em 2008! Que bacana rever o barco! Em 201, quando retornei ao Egito, fiz a famigerada viagem de trem! Uma odisséia mesmo! Mas vale a diversão.sem dúvidas!

  7. Andrea Lattuf
    14/03/2014

    Bom dia, vou para egito agora dia 01/04/2014. vou fazer o roteiro cairo, cruzeiro e sharm el sheik. como vou sozinha já fechei com a agencia Memphis diretamente do egito os passeios. claro que acabaram saindo mais caro por ser single. gostaria de dica de restaurante no Cairo, vale a pena fazer a feluca? sharm alguem fez o passeio do golfinho?
    grata

    • Oi Andrea,
      A gente não foi a Sharm, infelizmente. E no Cairo, a gente jantou no próprio hotel em uma das noites. Na outra, fizemos um passeio chamado Cairo by Night que nos levou para jantar num barco ancorado no Nilo. Foi bem legal. A gente fez um passeio de Feluca em Aswan e foi meio besteira, viu? Não recomendo muito.
      Abraços.

  8. Isabel
    27/01/2017

    Oi! estou pensando em ir em maio para o Egito, com pouco dinheiro e por conta.
    Não falo ingles, você acha que vou ter muita dificuldade?
    Se precisar de guia em portugues acho facil?
    Os passeios comprados direto no Cairo são mais baratos?
    Obrigada

    • Oi Isabel,
      Sem inglês eu nem consigo imaginar como pode ser…
      A gente viajou pelo Egito com pacote com guia em espanhol pelo medo de não conseguir se virar lá.
      Abraços.

  9. Isabel
    27/01/2017

    Se for de metro com mapas consigo me locomover sem dificuldades
    Obrigada