Por que não fico 7 dias num Resort de Praia

Bem amigos andarilhos, andei refletindo muito sobre um post meu mesmo em que eu falo mal dos serviços de turismo brasileiro. Depois de alguns dias daquele desabafo, acho que fiquei arrependido de algumas coisas que falei, pois fiquei me perguntando: – O que será que tanto me entusiasma em viajar para a Europa para não ter tanta vontade assim de ir para Maceió, por exemplo?

Salinas de Maceió

Lá no post, eu dou algumas razões para isso, mas algo me dizia que aquelas não eram suficientes e que havia algo mais a ser desvendado nesse preguiça de visitar lindíssimos lugares nesse meu Brasil.

Depois de muito pensar, achei mais algumas justificáveis “desculpas” para trocar as águas claras, pacíficas e transparentes de Noronha (por exemplo) por 17 dias de correria entre trens, aluguel de carro, concertos, palácios, museus, teleféricos, trilhas, aulas de ski, passeios de barco, banquetes medievais, check-in e check-out em 10 hotéis diferentes na minha viagem de Março/2001 pela ÁustriaSuíça! (Haja fôlego!)

Sério! Todas essas coisas que eu citei acima já estão programadas para a minha próxima viagem. Não só programadas, como praticamente todas já pagas!

 Se programar e chover, azar o seu! Tem que ir!

Eu andei lendo alguns posts (1, 2, 3 e 4) muito interessantes do viajante profissional, Ricardo Freire (deveriam ler todo o blog dele, mas o link para esse assunto específico está aqui). E estava me sentindo meio apavorado, porque eu programei esta viagem de uma forma completamente oposta à “recomendável”. Muitos deslocamentos, muitas mudanças de direção, uma agenda super corrida para percorrer o máximo de destinos (maravilhosos, claro) em tão pouco tempo.

 Sempre correndo para dar tempo de tudo!

Fiquei com a sensação de que estava fazendo tudo errado, que deveria mudar toda a minha programação e cancelar todas as reservas. Depois de quase surtar com isso, desisti, pois muitas reservas não podem mais ser canceladas sem que isso signifique um baita prejuízo. E tentei analisar melhor a mim mesmo para tentar aceitar esse meu lado “obsessivo”, já que não era mais possível voltar atrás.

Daí, finalmente, caiu uma ficha!

Sabe por que eu nunca quero viajar para passar uma semana em uma praia paradisíaca num resort all-inclusive? Porque eu ficaria agoniado de ficar “parado” muito tempo num mesmo lugar! Só de pensar nisso, já me imagino tentando descobrir mil e uma atividades para fazer fora do resort! Então, o resort perde o sentido, concordam? Honestamente, morro de medo de cruzeiros (nunca fiz um) só de saber que só poderei explorar o navio e nada mais, enquanto ele estiver em alto mar.

 Para um bom clique, há de se ter paciência…

Preciso me mover, achar atividades, buscar distrações, eventos, museus, passeios, trilhas, etc… Mesmo achando que corro o risco de tornar as férias mais cansativas do que os períodos de trabalho. Todas as vezes que viajei para o Nordeste, por exemplo, arrumava um passeio por dia para fazer, sem conseguir sentar minha bunda na espreguiçadeira da piscina do hotel (na verdade, eu sempre tento, mas nunca consegui ficar mais que 20min ali…).


Viajar: Rápido ou Devagar?

Em outro país, a profusão de novidades é tão grande, que o meu espírito hiperativo consegue encontrar sempre milhares de distrações sem um segundo sequer de tranquilidade! Ô coisa boa! Resumindo, o problema dos resorts, cruzeiros e de uma ilha perdida no meio do oceano, na verdade está em mim, e não neles…

Vocês também são assim? Ou conseguem se entregar livremente e relaxar de pés para cima um dia inteiro na beira de uma piscina? Contem para mim como vocês curtem suas ferias ali na parte dos comentários!

Abraços e até o próximo post.

Se quiserem ler mais sobre o assunto, tem uma reflexão legal no blog do Michel, o www.rodandopelomundo.com, que me parece bem mais slow-traveler do que eu:
Quanto você realmente aproveita a sua viagem?

 

Mais Reflexões de Viagem?

Escrito por: Gleiber Rodrigues
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comentarios:22
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Feb
2011
22 comentários
  1. bruno mendes
    13/02/2011

    Fala, Gleiber!

    Cara, eu curto mais um turismo menos frenético. Claro que ficar uma semana parado num praia poderia ser meio entendiante, mas vc nunca vai ficar uma semana parado numa praia. Tem um monte de coisa pra se fazer na praia: nadar, caminhar, ver pessoas, tomar uma cerveja, uma caipirinha, se esconder do sol, procurar o sol, pensar na vida, perceber como o mundo pode ser lindo, passear de escuna, brincar na areia, ler um livro, fazer trilha, etc. Sem contar que perto de uma praia tem diversas outras praias. Talvez grutas e cachoeiras. O turismo de natureza é diferente do turismo urbano ou histórico. É menos informação e mais sensação, eu acho. Ou, melhor, a informação vem na forma de sensação. Se vc passar 15 dias visitando diversas cidades e paisagens, talvez não tenha tempo de digerir cada uma. Mesmo quando eu visito cidades europeias, tento tirar um tempo pra sentar numa praça, ver o movimento, sentir a cidade. Ou me sentar num restaurante e perceber o gosto da comida e da cerveja, ver o ambiente.
    Slow down, my friend!!!

  2. Gleiber
    13/02/2011

    Concordo em gênero, número e grau. Acho que eu tô precisando execitar o procurar o sol x esconder o sol. A gente agita tanto a mente que na hora de relaxar, acaba escolhendo diversões que nos agitam. É ou não é insano???

  3. Jessie
    14/02/2011

    Gleiber, confesse, turismo nacional pra você é vir pra Uberaba, sair pra jogar sinuca, conversar borracha, rir das visitas do Marco Túlio ao Gustavo lá em Brasília, jogar rpg e claro, encher a família de mimos 😉

  4. Erik Trovão
    11/03/2012

    Oi, Gleiber!! Descobri seu blog recentemente e estou lendo um post atrás do outro sem parar!!! Mas, de todos, aquele com o qual mais me identifiquei foi este!! Eu me sinto exatamente como vc: entediado só de pensar em ficar parado qd viajo!!! Sentar na beira da piscina e “descansar” não me relaxa, mas sim me deixa extremamente angustiado por saber que aquele tempo poderia estar sendo aproveitado conhecendo algo interessante!!! E quando programo uma viagem, ela sempre acaba ficando corrida! É inevitável!!!! Quanto mais coisas diferentes eu conhecer, mais me divirto e mais relaxo!!! Eu me sinto muito mais renovado depois de uma viagem intensa do que depois de alguns dias em um resort!!! E estou cansado das pessoas dizendo o tempo todo q eu tenho q ficar mais tempo em lugar X ou Y pq do jeito q estou programando não vou conhecer direito!!!! Ninguém me entende!!!!!
    Como esse seu post já tem mais de um ano, talvez vc nem leia o que escrevi. Mas, de qualquer forma, parabéns pelo blog!!! Sou praticamente um iniciante ainda na arte de viajar, mas confesso q estou completamente viciado e seus relatos ajudam bastante!!! Abraço!!

    • Claro que leio, Erik! Eu leio TUDO (ahuhauhau). Mas sabe que eu estava mega cansado, estressado, e fui para um resort com planos de pagar língua e só descansar. Qual foi o resultado? Acabei alugando um carro no segundo dia e rodando 200km por dia, em média! Somos incorrigíveis!!! Logo, logo teremos post no blog sobre essa viagem incrível.

    • Andrea
      11/05/2012

      me identifico com vcs totalmente!!! ficar deitada em uma espreguiçadeira na beira de uma piscina… OHMYGODDDDD… nem pensar! pra mim é perca de tempo, não consigo…e saber q a vida corre lá fora, q os lugares, os sabores, as pessoas me esperam… não dá! abraço!

  5. salvador
    25/09/2012

    Isso se chama TDAH, mal aí, rsrsrs

    Nada como uma piscininha + praia em resort… claro que o ideal é ter COMPANHIA. Ir só um casal é meio assim mesmo.

    Dá pra equilibrar: alguns dias de atividades, alguns dias de relax.

    E os cruzeiros que eu tive a oportunidade de fazer (royal) tinha muita coisa pra fazer no navio, fora as ilhas.

    Me parece o ideal: tem os dias de navegação para curtir só o navio, os dias que vc desce na ilha e as noites em que vc aproveita restaurante, bar e boate.

    No mais, conhecendo o blog agora… abraço.

    • kkkkkk Concordo em gênero, número e grau com o TDAH! E eu tenho o maior preconceito com os cruzeiros, mas confesso: nunca fiz um. Tô precisando experimentar.

  6. Gleiber,penso de forma muito semelhante a você, tanto é que essa sua postagem vai bem ao encontro de um texto que escrevi há pouco tempo no meu blog. Acho que nosso raciocínio se resume bem com esta frase daquele meu texto: “Afinal, é notório e sabido que mesmo o mais intenso dos viajantes, ao longo de toda sua vida, só conseguirá conhecer uma ínfima parcela de todas as coisas belas e interessantes que existem no mundo. Triste, não acha? Com uma coisa dessas martelando na cabeça, acabo encontrando dificuldades em permanecer muito tempo de molho.”

    Abraço!

    • Bem por aí, Robson. É muito triste saber que não conseguiremos alcançar TODOS os nossos sonhos viajeiros. Mas por outro lado, refletir sobre isso ajuda a gente a ter uma certa humildade perante a vida. Enfim, não somos onipotentes e nem onipresentes. E por isso mesmo conviveremos sempre com a necessidade de fazer escolhas. Bonito isso! Abração e obrigado pela participação aqui no blog! 😀

  7. Luis Fernando Marin
    10/01/2013

    Gleiber, em primeiro lugar, parabéns pelo blog!
    Vou falar algo óbvio: as pessoas são diferentes umas das outras. O que relaxa um estressa o outro e vice-versa… Formações distintas, profissões diferentes, condição financeira, filhos ou não… São tantas as variáveis que compõem nossa personalidade de viajantes!!
    De minha parte, gosto dos 2 estilos, cada qual tem seu momento.
    Acho que a dica do Ricardo Freire é sensata e é a que eu daria se tivesse um blog com a proposta do dele.
    Venho procurando organizar minhas viagens de modo que o bicho-carpinteiro não fique parado, mas que eu não perca a maior parte do tempo em deslocamentos custosos em termos de tempo e grana.
    É perfeitamente possível, por exemplo, ficar 10 dias em uma capital européia explorando-a (e aos arredores) com calma, sem checkinseouts excessivos, sem correr maiores riscos relacionados ao índice P.D.M.V (conhece? é o índice “pode dar problema na viagem” – bem, o “m” não é bem isso, kkk!) tipo atrasos de vôos, cancelamento de trens, e sem que o bicho-carpinteiro fique um só dia parado. Mas não te culpo, não: tanta coisa para conhecer antes do apocalipse e tão pouco tempo! Tenho a mesma angústia.
    O problema em relação aos resorts brasileiros é simples: são um assalto, assim como qualquer deslocamento interno. Estive no Decameron Baru, aproveitando uma ida a Cartagena, e valeu muito mais a pena do que qualquer resort brasileiro.
    Acredito ainda no “dever cívico” do turista brasileiro de conhecer outras “culturas turísticas” para cobrar das autoridades implantação de melhores condições para o turismo interno: aeroportos, capacitação de mão-de-obra, segurança. Minha mulher, aqui do lado, está rindo, dizendo que eu arrumo qualquer desculpa para cruzar a imigração, rs rs, rs…
    Enfim, viaje como preferir e seja feliz!
    Forte abraço!
    Luis Fernando Marin

    • Nossa, Luis Fernando, concordo em gênero, número e grau com cada palavra sua… Ainda não consegui me transformar no slow-traveller que gostaria, mas já ando bem melhor-intencionado. Na minha próxima viagem, por exemplo, já consegui reservar 4 dias no mesmo hotel! E na minha última viagem, consegui deixar 3-4 dias completamente livres, sem programar nada (e que se preencheram de atividades desfrutadas sem o stress da “obrigação”). Um grande abraço, obrigado pela contribuição e seja sempre bem vindo por aqui!

  8. Vitor Sanfins
    20/03/2013

    Gleiber, desde que me conheço por gente sempre gostei de viajar, e sempre para lugares diferentes. Sou como voçê, não consigo ficar parado, gosto de explorar… Hoje tenho 39 anos e 50 países na bagagem. Sei que ainda tenho uma vida inteira pela frente… E ainda mais 1000 lugares pra desbravar. Esta é a minha missão na Terra !!!

    Vitor.

    • Eu estou com 33 e acho que ainda não cheguei aos 30 países… Mas vamos que vamos! Missão boa essa nossa, né? 🙂 Ainda bem que tem gente que me entende… 🙂

  9. Tayse Garcia
    17/04/2014

    Olá, queria dicas sua!! Meu sonnho é conhecer Maceio, não capital também mais queria passar alguns dia em Maragogi e depois ir para outro lugar por ali mesmo, como vc mesmo disse é muito agoniante passar dias em um mesmo lugar. Bom irei em família (meus pais, marido filhos (5 e 6 anos). Poderia me ajudar me passando dicas e lugares que poderia ir que não seja cansativos e ótimas praias para ir com crianças e não muito distantes. 😉

  10. Roberto
    04/09/2014

    Em minha opinião, há alternativa ao resort. Já viajei todo o nordeste brasileiro e sempre fiquei hospedado nas capitais. Fiz idas às melhores praias, mesmo que distantes da capital e às vezes ficava o dia inteiro nestas praias, voltando ao entardecer. Além das praias, fazia muitas atividades nas capitais do nordeste, que são cidades que me agradam muito e também ia para várias cidades do interior dos estados. Há muita coisa bacana para se fazer por lá, além das praias. Sendo assim, o resort, de um modo geral, também não me atrai. A única vez em que fiquei em um resort, foi em Angra dos Reis, onde aproveitávamos, pela manhã, a estrutura de piscinas, que era muito boa, mas, à tarde, sentíamos necessidade de outras atividades fora do resort e acabamos voltando mais cedo. Com relação às viagens para o exterior, também são muito boas e é bem possível aproveitar tanto o Brasil como o exterior. Já fiz um comentário, aqui, sobre os museus de Paris e viajar é muito bom. Só não gosto de me hospedar em muitos lugares diferentes em uma viagem. Na Europa, por exemplo, muitas vezes, ficando em uma só cidade, podemos conhecer mais de um país, pois muitos destes países são bem pequenos em extensão territorial.

    • Legal, Roberto!
      Que legal você deixar esse seu depoimento por aqui, ajuda muito a enriquecer o conteúdo. Como há muitos perfis de viajante, ainda bem que é vários perfis de hospedagem e de passeios. Abração e mais uma vez, obrigado por participar.

  11. Carla
    19/01/2015

    Adorei o post!

    Também me considero hiperativa e a vontade de conhecer e explorar é tão grande que não me vejo muitos dias no mesmo lugar. O mundo é muito grande para ficar em um lugar só! Carpe Diem!

  12. Rosana
    29/05/2015

    Adorei seus comentarios de viagens. Na verdade sou um pouco urbana e um pouco rural. Detesto fazer passeios que incluem shopping, compras, transitos, paradeiras como resort, tudo muito fantasioso pro meu gosto, claro, a não ser uma “Lua de Mel”.
    Gosto de caminhar, explorar lugares, fazer passeios tipo trilhas, mochileiros, andarilhos, aventuras (não radicais). Não necesáriamente ter que dormir em albergues, pé no chão, não sou radical, não precisa ser 5 estrelas e/ou tudo perfeito. O perfeito tenho em casa, quando saio do meu cotidiano, é bom experimentar coisas novas e diferentes, para dar mais valor a nossa vida e trazer mais adrenalina pro nosso organismo.
    Este ano fui a Portugal, foi lindo mas ainda prefiro aventuras, natureza, liberdade.
    Fiz uma viagem inesquecivel sozinha, para Chapada Diamantina, lá conheci um guia que levou um grupo de 15 turistas de todo lugar do mundo para passar 10 dias andando 20 km pela mata, foi uma aventura emocionante e marcante, conheci várias pessoas,tive experiencias de vida que nunca teria em uma cidade.
    Já fui pra Argentina, Chile, Punta Del Leste, mas ainda não senti tanto prazer como desbravar uma trilha, respirar o ar puro, andar sem saber o que encontrar pela frente.
    Agora estou procurando fazer um passeio deste tipo, gostaria que me desse uma dica para onde ir e se conhece algum guia. De preferencia em junho, quero passar uns 4 dias.
    Em outubro estou indo para Europa um mes, ja anotei no meu caderninho a sua dica do Louvre, kkkkkk, acho que vou excluir, a Torre de Paris também acredito que deve ser tipo o cristo Redentor no Rio de Janeiro, aqueles turistas torrando no sol de 40°, sem noção, detesto fila prefiro ficar em casa mesmo.

    • Oi Rosana,
      Que legal, seu estilo de viajante é inspirador! Fantástico.
      Conheço uma agência que faz viagens nesse estilo que você gosta. É uma empresa que atua aqui no Rio Grande do Sul e organiza passeios não só na nossa região como também em outros lugares do mundo. Entre no site eles, acho que você vai gostar:

      + Ecocaminhantes

      Abraços

  13. Neusa Maria Fraporte Bravo
    09/02/2016

    Adorei as considerações de teu blog. É, preciso me reler!!!! Bjs e obrigada por compartilhar tuas experiências.