Viajar e Nossas Listas de Prioridades
Viajar, em geral, todos gostamos. Pelo menos nós, que paramos para ler um blog sobre o assunto. Algumas pessoas, surpreendentemente, nem de férias gostam. Dizem que se sentem perdidas quando estão longe do seu escritório, ou de sua rotina precisamente calculada.

Eu, na verdade, não consigo entender essas pessoas. Para ser bem sincero, eu nem acredito quando elas dizem esses absurdos.

Até entendo aqueles que estão precisando usar sua grana para algo mais construtivo do que o puro prazer de uma viagem e portanto, não conseguem relaxar pensando que poderiam estar juntando para reformar a casa enquanto estão pagando diárias “inúteis” em um hotel. Tudo bem, aí eu até entendo. Mas não concordo.

Quando está faltando caixa para coisas muito básicas, até acho lúcido adiar gastos com festas, cerveja, caixas de bombom e claro, deixar um vôo para o Nordeste para quando tivermos um ordenado garantido. Mas, férias… Isso deveria ser sagrado! Depois de trabalhar o ano todo, pagando contas, liquidando dívidas, financiando veículos ou imóveis, pagando seguro de carro, de vida, de casa… Em algum momento, teremos que arcar com um seguro-sanidade-mental!

Algum espaço, na nossa lista de prioridades, deve estar reservado para o prazer pessoal, a diversão e a adrenalina. E, claro, nem todos precisam viajar, obrigatoriamente, para fugir da tão opressora rotina. Tem gente capaz de praticar a arte de ligar e desligar seus problemas todos os dias. Mas para estressados como eu, não há jeito mais fácil de viver uma transformação pessoal do que viajando…

Quando você sai da sua casa, da sua cama, das suas comidas congeladas e da obrigação de recolher o lixo todos os dias, você automaticamente ganha tempo para viver outros sabores, outro clima, outras atividades… Cada um tem um jeito diferente de viajar e todos eles são válidos, pois sempre significam viver por alguns dias uma outra vida a sua escolha!

Se eu tenho vontade de ser alpinista, aproveito para viajar até uma montanha para fazer uma trilha. Se eu tenho vontade de comprar roupas de grife, vou a um freeshop em Dubai comprar tudo a 30-40% do preço que temos no Brasil. Se tenho vontade de andar de chinelos e bermudão 24h por dia, vou para um resort em Porto de Galinhas e não preciso me cansar nem para buscar uma cerveja. E por aí vai…

Cada ser humano se sente realizado de formas diferentes, por isso há tantas opções de destino de viagem. História, espetáculos, baladas, gastronomia, natureza… E, para os indecisos, podemos a cada vez, escolher um tema diferente para nossas férias. Mas o que todos nós viajantes temos em comum? Todos nós, sem exceção, merecemos reservar 15-30 dias ao ano para vivermos a vida que, de verdade, gostaríamos de viver nos outro 335 dias do ano. Sem culpas, sem ressentimentos, e se possível, sem muita economia.

Feliz 2011 a todos os Andarilhos do Mundo!!!

 

Mais Reflexões de Viagem?
Escrito por: Gleiber Rodrigues
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Jan
2011
6 comentários
  1. lilica
    12/08/2011

    Nossa, concordo plenamente….apesar de ser suspeita pois amOOOOOOOO viajar. Prefiro deixar de comprar coisa que “não preciso” (como bolsas novas, roupas que já tenho,etc)para juntar dinheiro e viajar, não existe experiencia melhor na vida.
    Como diz o ditado…”Não são as pessoas que fazem a viagem, são as viagens que fazem as pessoas!”

  2. Gleiber
    29/08/2011

    Obrigado pelo comentário no blog, lilica. Eu adoro esse texto que escrevi e estava triste por ninguém ter nunca se manifestado. Parecia até que eu era o único que pensava assim, hehehe. Mas também acho que são as “viagens que fazem as pessoas” e sigo viajando…

  3. Paula Brum
    30/07/2012

    Pois é, vivo em meio a pessoas que por motivos diversos não gostam de viajar (ou dizem que não gostam), mas que na verdade vejo que muitas vezes estão vivendo ao lado de pessoas as quais não gostam de verdade e passar alguns dias junto, fazendo tudo junto, se torna insuportável… Eu, por outro lado, prefiro viver intensamente 15, 20 dias por ano e sonhar com o próximo destino, mesmo que seja no próximo ano, do que passar a vida de casa para o trabalho e para casa… Entendo aqueles que não podem, mas sempre digo que há tantos destinos próximos e um bate-e-volta às vezes é tão renovador quanto uma viagem mais distante. O que importa é sair, rodar pelo mundo (mesmo que esse mundo fique a poucos quilometros), ver novos horizontes e sentir o gosto da liberdade… É renovador e libertador.. Só não li seu post antes porque não conhecia o blog, do qual hojde sou fã. Parabéns!

  4. Antonio
    28/05/2013

    Gostei de seu artigo que reflete bem concreto no sentido de viajar… Parabens. Nossa vida é uma viagem, estamos aqui de passaegm e o tempo é curto. Viajar, não só geograficamente falando, mas passear, conscientemente e verdadeiramente, em nossos bancos de memoria de vivências revendo nossos posicionamento diante dos lugares, fatos e encontros com pessoas. É claro, que por detrás de tudo, está o nosso relacionamento com Aquele Deus de amor que nos deu o dom da vida. Para crescer no entendimento da vida é importante “viajar” concretamente sair do lugar. Passar a vista por outros “cenários” onde outros vivem e captar suas experiências e outros ângulos de visada do misterio da vida: em sua cultura, sua fé, gastronomia etc. Toda viagem é uma busca de sentido, não fora, nos cenários que são só meios, mas interior. Na experiencia de vida dos outros, em lugares outros, encontramos respostas preciosas, as vezes inconscientes, para a nossa. O problema é dinheiro ? As vezes, sim, mas é mais de prioridade.

  5. Casamento Blog
    02/10/2013

    Muito legal as fotos !

  6. Denise
    17/01/2017

    Muito interessante seu texto: me fez lembrar de uma experiência que vivi. Meu marido tirava no máximo uma a duas semanas de férias e não conseguia se desligar do trabalho. Sempre telefonava para alguém da equipe para saber do andamento das atividades. Nossas viagens duravam no máximo 5 dias e se eu programasse um período maior era reclamação na certa. Ele não conseguia se desligar do trabalho. Mas como diz o ditado: “água mole em pedra dura…” hoje ele usufrui 30 dias de férias divididas em 2 períodos e sempre viajamos nos dois períodos. Quando há um feriado prolongado, ele já me pergunta para onde quero ir.
    Portanto, posso dizer que felizmente essa doença de só pensar em trabalho tem cura. Só demora um pouquinho!