Comer Rezar Amar
Olá, fiéis visitantes!
Como o próprio título já diz, hoje vou falar desse livro/filme que fala de viagens mais do que qualquer outro best-seller da lista do New York Times… (ou da Veja). Tá certo que estou meio atrasado. Já me disseram que todo mundo já leu o livro, que já sabe da história e que falar dele é chover no molhado, mas…
Bem, eu vi o filme e agora de Natal, ganhei o livro de presente. Acho que nunca li um livro tão rápido. Primeiro porque não é bem literatura de verdade, pois a autora usa uma linguagem muito simples, corriqueira, semelhante à de um diário (ou de um blog, para usar um termo mais contemporâneo).
Depois, porque adorei o tema “buscar o sentido da vida através de uma viagem”, que é o que os apaixonados por viagem, em geral, sentem em maior ou menor grau. E o terceiro motivo para gostar do livro é que ele termina com um final feliz e edificante, o que já é suficiente para eu gostar de um livro como bom “piegas” que sou, hehehe.

E, refletindo sobre ele, pensei que talvez toda e qualquer viagem resuma-se nessas três palavras que dão título ao livro. Vamos excluir as viagens de negócios, ou a trabalho, claro. Excluimos também as viagens para visitar parentes e também as viagens para trazer muambas de Miami ou do Chuí (ops!). Quero falar aqui das viagens de férias, aquelas feitas para a gente aproveitar, curtir, relaxar, se divertir!

Os biólogos evolucionistas e a psicologia darwinista diz, assim como no livro, sobre a obsessão humana em conquistar poder e um parceiro reprodutivo (que vem mais fácil tendo poder, na verdade). Sendo o objetivo do DNA simplesmente a sua replicação, todos os instintos de todos os seres vivos resumem-se de algum modo, em reprodução. Para esse ramo da ciência, portanto, o sentido da vida é COMER e AMAR.
Vamos explicar em miúdos: a gente trabalha arduamente só e simplesmente para algum dia ter um bom “comer” e um bom “amar”. Claro que, em se tratando da complexidade da mente humana, outros atos prazeirosos como beber um bom vinho, dormir em uma cama macia, ouvir boa música e tomar um belo banho numa banheira com sais contam como formas exóticas do prazer de “comer”.
Do mesmo modo, falar outras línguas, conhecer outras pessoas, receber auxílio e informações de um estranho, fazer novos amigos, ter tempo com os filhos podem ser encarados como formas menos ortodoxas da palavra “amor”. Viajar, segundo essa tese, torna-se uma forma de recriar o nosso instinto mais vital, galgando novos níveis na arte de saciar desejos.
Sobre o instinto de PODER (que, biologicamente, serve para conseguir o melhor parceiro reprodutivo para seu DNA), muitas vezes exercido ferozmente no nosso dia-a-dia, ao viajar acaba se transformando em coisas como “estilo”, “classe”, “glamour”…
Por que dormir num albergue barato se eu “posso” me dar um hotel 4 estrelas? Por que comer fritas com sanduíche, se eu “posso” conhecer um bom restaurante? Não sou nada contra ter “poder”, muito pelo contrário! Afinal, quem “pode” pode e quem não pode, se sacode! Quem “pode” com certeza fez por merecer.
Mas daí penso, onde está o sentido de viajar, quando resumimos toda a diversão a simples demonstrações biológicas de instintos como Prazer e Poder? Pensando assim, nós não somos em nada melhores do que um ornitorrinco (será que somos?)!!! Achar um “sentido maior” é o que significa a palavra REZAR, no livro de Liz Gilbert.
Não importa em que Deus você acredite, ou mesmo se você acredita em Deus. Acima de todos os instintos animalescos dentro de nós, a busca por transcendência nos leva a fazer coisas incríveis e muitas vezes a viajar para lugares muito longínquos, na tentativa de provar aos biólogos que não somos meras massas de DNA (e que somos melhores que ornitorrincos!). Quando conhecemos outras culturas para descobrir novas formas de agir dentro da nossa cultura…
Quando visitamos cidades reconstruídas após uma grande guerra e tentamos tirar dali uma lição para reconstruirmos nossas próprias vidas em guerra… Quando vemos os gringos fazerem “city tours” em nossas favelas para entender nossa pobreza e dali acharem motivos para valorizarem a riqueza que subestimam em seus lares… Todas essas são formas da palavra REZAR que só as viagens podem trazer para nós.

E, em meio a tantas coisas boas, tantos COMER, tantos AMAR, quem de vocês, viajando, não sentiu de perto as mãos de algo mais grandioso, algo superior, algo transcendente, que nos tirasse por alguns segundos da nossa existência mesquinha e nos elevasse, como uma oração, a um REZAR glorioso e digno de motivar cada vez mais e mais viagens?

Em todas as fotos que ilustram esta postagem, de forma maior ou menor, estávamos sentindo um pouco disso…

Até a próxima viagem!

 

Escrito por: Gleiber Rodrigues
Compartilhe:
comentarios:3
Posts Relacionados:
12
Jan
2011
3 comentários
  1. Lindo, Gleiber!!! Parabéns! me emocionei… 🙂

  2. Gleiber
    13/01/2011

    Obrigado, Gi… Seja sempre bem vinda!

  3. Carolmay
    21/01/2011

    Oi Gleiber,
    Também estou lendo este livro, é fascinante né? To me identificando muito e acho que não tem como não se identificar pelo menos um pouco.
    Bjos