Brasília: beleza árida

Chegou a vez de Brasília, uma viagem que aconteceu entre 13 e 16 de Outubro de 2010 a trabalho. Fui sem o Sandro dessa vez que perdeu conhecer a nossa capital e principalmente as famosas obras de Niemeyer!

Brasilia

Para começar, uma coisa que me deixou muuuito feliz foi saber que existe vôo direto de Porto Alegre para lá, o que facilitou muito a minha vida. As empresas aéreas deveriam usar mais o Aeroporto de lá para desafogar um pouco o complicado “trânsito” de Congonhas – Cumbica. Táxi para o Hotel e descanso merecido.

E daí vamos falar de um tema importante sobre a cidade: custo de vida. Brasília é uma cidade muito cara! Hotéis todos com diárias absurdas avaliando a relação custo-benefício, claro. Acabei ficando num hotel muito confortável (o Manhattam Plaza), mas quase tive que deixar um globo ocular para pagar a conta. Outro detalhe, não venha sem reserva, pois em dias de semana, costuma estar tudo lotado. A cidade é muito visada pelo mundo coorporativo e para cursos/eventos em geral.

Meu hotel

Quem me conhece sabe que eu adoro caminhar. Portanto, fui para o meu congresso de táxi pela manhã, mas resolvi dar uma caminhada ali pelo meio-dia para achar um lugar para almoçar perto do centro de eventos. Daí me deparei com a realidade dura e crua da máxima que diz: Brasília não é uma cidade para pedestres!

Primeiro ponto: reparem na cor da “calçada” ali na foto do termômetro digital! Meus sapatos originalmente pretos ficaram dessa mesma cor depois da minha voltinha pela “quadra”.

O Sol escaldante, o dia seco (ainda bem que 35°C de ar seco é menos quente que os 30°C úmidos aqui de Porto Alegre), o fato de não haver calçadas por todo o trajeto, de não haver semáforos para pedestre e de que qualquer lugar fica a pelo menos 1km de distância, me fizeram comprovar que, realmente, não é fácil caminhar ali.

A foto ao lado foi tirada do 15º andar do hotel para mostrar a cor vermelha das calçadas, as grandes distâncias e a falta total e absoluta de árvores para fazer sombra. A organização por Superquadras é até interessante. Tipo, na superquadra do hotel ficavam vários outros hotéis, alguns restaurantes (de preço salgadinho, diga-se de passagem), mas quase não havia opções para fazer umas comprinhas, por exemplo.

Resumo, para ir a qualquer outro lugar: só de carro. Antes que me acusem de não ter gostado de Brasília, vou me redimir… Afinal, o problema fica resolvido quando se tem um carro, certo? E a maioria das pessoas que mora no plano piloto tem o seu (às vezes até mais de um, hehehe).

Claro que isso gera seus problemas, pois mesmo com avenidas largas, o trânsito por lá é tão ruim quanto em qualquer outra cidade brasileira na hora do rush… Mas, por outro lado, os carros lhe permitem chegar até parques fantásticos e principalmente até as margens do Lago Paranoá, onde fui à noite com um velho amigo (bota velho nisso, hehehehehehe).

Bebidinha à base de Absinto

Infelizmente não tirei fotos (não levei a câmera e as fotos do celular ficam ruins de noite). Reunimos uma turma e comemos um lanchinho num lugar que parecia mais uma cidade de praia (porque no resto do tempo, Brasília parecia uma filial do Sertão da Paraíba… e isso que eu fui já depois das primeiras chuvas, quando o gramado já estava verde!).

Acho que era no Lago Sul. Uns trapiches avançando no lago… Barzinhos cheios de gente bonita… Árvores, verde, música… Terminamos a noite com uma dose de Absinto num barzinho medieval muito legal (depois de termos jogado um pouco de boliche num shopping e ter encontrado por acaso um amigo da faculdade, que por acaso é também meu afilhado de casamento, pode?).

No meu último dia na capital federal, fui (de táxi, claro) dar uma volta perto do congresso nacional e dos monumentos para exercitar o meu lado “turista”. Eu não sei explicar a sensação direito, mas é como se ali, na praça dos três poderes, eu me sentisse mais brasileiro. Também não sei se é com todo mundo que isso acontece, mas é algo muito forte, tipo um arrebatamento…

Aquela bandeira enorme, a beleza dos monumentos, os candangos… Sei lá! Faziam uns 10 anos que eu não ia a Brasília, mas senti a mesma coisa que senti na outra vez. Uma sensação de pertencer a um povo tão digno e tão nobre, que foi capaz de construir aquela cidade em meio ao Cerrado com tanta beleza!

Bem, depois de sentir tudo isso e tirar umas fotos, não pude deixar de perceber o quanto o lugar estava vazio. Era um sábado, havia umas 2 ou 3 vans deixando turistas para fotos e eu já tinha dispensado o meu táxi. Queria caminhar com calma, fotografar cada ângulo em paz…

Mas as vans, sempre com pressa deixavam os turistas para no máximo 10 minutos de fotografia. Resolvi subir a rampa para tirar umas fotos do Congresso e me deparei que só tinha eu nas calçadas (uma vez andarilho, andarilho sempre…) e não tinha um mísero ponto de táxi para poder ir embora para o hotel!!!

Bem, então fui caminhando, tirando umas auto-fotos, postando no twitter ao vivo e curtindo um momento “queimando calorias, queimando a pele e queimando o filme” até chegar na esplanada dos ministérios. Ali sim, estava tão deserto que até as paradas de ônibus eram vazias. E o horário (16-17h) apetecia ao quê?

A um jogo de futebol americano! Isso mesmo! Ali, perto das bandeiras! Eu tirei a foto com o celular, que não tem zoom, mas se vocês prestarem atenção, verão que é verdade… E a busca pelo ponto de táxi continua…

Caminhei até a catedral, o que valeu muito à pena, porque quando estive aqui pela última vez, ela estava em reformas. Então foi a primeira vez que a conheci, o que me surpreendeu muito. Pena que estava para começar a missa, então só deu para tirar fotos da entrada, mas foi o suficiente para me maravilhar.

E logo eu que não gosto muito de arte moderna, tenho que confessar que dessa vez eu babei… O efeito visual dos vitrais, usando luz natural para iluminar o interior e os anjos suspensos são incríveis.

Então eis que chegou a hora de falar do Niemeyer. Tá certo que ele é um gênio da arquitetura e tudo mais, mas já repararam nos colossos de concreto que são as suas obras? Sempre brancas, pálidas, áridas e sem vida. Tipo, ele não coloca árvores em torno das suas construções.

O Museu Nacional, recém-construído (eu não me lembro dele da última vez que fui a Brasília), parece um planeta que aterrissou num deserto de cimento. Ele coloca uns espelhos d’água para dar uma disfarçada, mas na verdade, falta verde gente! Não acham? Umas cores, sei lá… Branco é bonito, mas parece que falta alguma coisa.

Bem, acho que vou ficando por aqui, porque já falei demais e não sei se vocês adivinharam o final da minha jornada… Não achei um ponto de táxi até chegar à pé ao hotel. Na verdade, ali no eixão, no conjunto nacional, rodoferroviária, até tinha, mas daí só faltava uma quadra para chegar no hotel.

Falando nisso, na rodoferroviária é que finalmente encontramos as pessoas de Brasília! Porque as avenidas desertas, as pessoas passando sem seus carros com ar condicionado, contrastam em muito com o caos dos camelôs e com o empurra-empurra das filas para os ônibus que levam o povo para suas casas, nas cidades satélite.

Mais uma vez temos a prova de que Brasília resume o nosso país: lado a lado estão a ostentação monumental e o rosto sofrido dos trabalhadores que não tem direito de usufruir das belezas de seu país.

Feito!!!!

 

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Escrito por: Gleiber Rodrigues
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6 comentários
  1. Anonymous
    04/06/2011

    Nossa! fiquei preocupada como uma pessoa q diz gostar de andar não achou o shopping q tem perto do hotel q ficou! Imahina quem não gosta de andar.

  2. Gleiber
    09/06/2011

    Tá falando do Conjunto Nacional ou do Brasília Shopping? Eu fui nos dois! Mas não eram exatamente perto…

  3. Anonymous
    21/07/2011

    Nossa, o q vc chama de perto? Pq o conjunto e bem perto sim. Engraçado como perto ou longe e relativo. Na foto q vc colocou do hotel dá até para ver o conjunto.

  4. Vitor
    24/11/2013

    Brasília é uma cidade muito diferente, no Brasil não há nada igual…acho que no mundo. Nem vou entrar no mérito se é boa ou ruim… mas que é completamente diferente,ahhh isso é!
    Não há como dizer que conheceu Brasília estando apenas no eixo-munumental (onde fica a esplanada dos ministérios e os setores hoteleiros sul e norte). Tem que ir para as asas…andar pelas quadras (com uma infinidade de árvores e jardins) – lugar sim feito para pedestres!
    Concordo que a região do eixo-monumental não é boa para se caminhar… e que, como um todo, os transportes na cidades deixam muito a desejar…
    Mas aconselho uma outra visita a Brasília…para conhecer de verdade a cidade de todos os brasileiros. Na minha opinião, maio é o melhor mês!

    Abraços!

    • Oi Vitor. Concordo contigo. Brasília é muito diferente. E adoro a cidade. Não conheço as quadras, assim, muuuuuito bem. Mas já fui várias vezes por lá, já fiquei na casa de amigos, já circulei por outras bandas. Mas o turista que vai visitar a nossa capital vai onde? Nos pontos turísticos!

      E esta pessoa precisa ir preparada psicologicamente para o que vai encontrar. Ou seja, ou se pega um táxi que fica te esperando passear pelas atrações, ou se pega uma van turística, ou se vai de carro próprio. Ir de transporte público ou achar que vai encontrar um táxi lá (como aconteceu comigo) é certeza de perrengue.

      Mesmo assim, acho que todo brasileiro deveria ser obrigado a conhecer a cidade. Tenho certeza de que os gringos também piram. Mas seria legal se tivéssemos um infra-estrutura que não nos obrigasse a ter que contratar um tour com horários marcados feitos por uma empresa de turismo para poder visitarmos com calma as atrações, no nosso tempo, no nosso ritmo.

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